07 junho 2016

Fernando


Num debuto carimbado, 
um tanto além fora avistado.
No tanto, o tento,
já planando, dane-se o vento.

O véu balançara no primeiro esplendor,
Na trapaça do titânio, tal qual crescia o vigor.
Bem como expressa o mantra de seu manto, varonil.
Surgia, do voo robusto, o tento número mil.

Tão cedo o casório,
em hora que o amado assustado receava um velório.
Renasce o rubro, de repente, incandescente,
brota-se a conquista do continente.

A posse de uma desejada América, nunca antes conseguida,
apenas oferecida,
porém desguarnecida,
chega depressa, com ele, à beira do Guaíba.

Se veste de branco, 
atravessa o globo inteiro.
Ignora os ibéricos,
 pinta o mundo de vermelho.

Frio, sereno, olhando de cima,
"Não deve ser brasileiro. Não combina".
Raro, ímpar ao nossa prisma,
quando sobra à mente o que carece na ginga.

Entre automóveis, um avião.
Na área, nos ares, não bastava o chão.
"Você se sente um pássaro", colibri,
ao nascer, durante a vida e na hora de partir

Até que o destino presenteia à lá Troia
e o fascínio pelas asas se torna literal.
Agora um anjo, uma joia.
Na Terra, não há mais Grenal

À beira do Rio, o encanto.
No coração vermelho, a gratidão.
Vai-se Fernando,
eterniza-se Fernandão.

@_LeoLealC