24 novembro 2014

Deixe-nos sonhar


Parabéns, Cruzeiro. Mas já está na hora de dar um tempo, não acha?

Eu quero meu Brasileirão de volta. Disputado, equilibrado, sem que as emoções finais se resumam em brigas por vagas ou permanências.

Não sou fã da fórmula de pontos corridos, mas sempre achei o Campeonato Brasileiro o mais adequado a se praticá-la. Uma menor diferença técnica e econômica entre os clubes teria tudo para nos trazer 38 rodadas empolgantes.

Até vir você, Raposa, e acabar com qualquer expectativa de nossa parte.

Para monopolizar a disputa e tornar injusto o formato que busca justiça. E não venha me dizer que é conveniente o fato de alguém saber, já na metade da competição, que chegará ao título bem cedo.

Cadê o direito dos outros de sonharem? Cadê aquele jogo dramático para dar alguma gota de suor à conquista que vem de forma tão tranquila, racional, indiscutível?

Cruzeiro, você é chato.

É aquela criança que chama os amigos para jogar em seu video game novo, que só ela sabe jogar, tornando a disputa sem graça e iníqua.

É aquele playboy que causa raiva nos amigos de classe média que o veem reclamando com sua mãe por não ter lhe dado aquela camisa de 400 reais, enquanto todos aguardam uma promoção qualquer para encherem seus guarda-roupas.

Acostumado com a imponência e a avassaladora superioridade do primeiro turno, se disse em crise quando se viu "apenas" melhor que os outros.

Talvez por viver cheio de vaidade, ou pelo medo de que o já certo título fosse menos valorizado ao ser conquistado num momento nem tão brilhante quanto o início.

Besteira... Lembraremos do Cruzeiro campeão, que nos encanta em campo, e esqueceremos aquele que nos revolta forçando uma má fase.

O que não vi, de forma alguma, foi o tal Cruzeiro das páginas heroicas e imortais.

Vi somente páginas bem escritas, poesias de estrofes equivalentes em sutileza. Sem enredos de angústia e finais triunfais.

Regular.

Pois ser o melhor se tornou rotina.

E neste domingo, dia da coroação do que já sabíamos, até o céu deixou que nuvens carregadas o cobrissem em território mineiro, para que só um azul fosse condecorado.

Salve o campeão! Que diz ser tão combatido.

Devolva-nos o Brasileirão, Cruzeiro!

Ou, pelo menos, este combate.

@_LeoLealC

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