19 dezembro 2014

Merecimento (Continuação)


Ele não foi o problema do Corinthians em 2013. O que atrapalhou o Timão, ali, foi a falta de tesão de um time que havia ganhado tudo em 4 anos. Uma ressaca normal, a qual toda equipe vencedora se submete.

E o maior erro do clube foi achar que ali era o fim da era Tite. Assim, desperdiçou o ano de 2014, onde a continuidade do trabalho do rapaz, aliada a volta da vontade de vencer, seria muito mais benéfica do que a aposta no microfonista Mano Menezes.

O Corinthians levou Libertadores e Mundial tendo como principal responsável o seu treinador, em algo poucas vezes visto aqui. Foi também o primeiro caso de um futebol feio que dava gosto de ver.

Tite é amado no Parque São Jorge, numa relação rara entre treinador e clube. Talvez tenha sido até mais importante que Ronaldo naqueles 4 fantásticos anos.

Em sua melhor entrevista, ao falar da reta final do Brasileirão que seu time estava prestes a conquistar, ele soletrou: "M-e-r-e-c-i-m-e-n-t-o".

E por tudo que fez, o Corinthians tem a obrigação de sempre procurá-lo como primeira opção pra técnico enquanto ele exercer a profissão.

Por agradecimento. Por merecimento.

Tite é um treinador sensacional, acabou com a marra do maior time de aluguel do planeta e deu o mundo ao Timão. Por ser brasileiro, é menos reconhecido do que deveria. Pois se ganhasse o horroroso Campeonato Francês com o quinzilhonário Paris Saldo de Gols, teria a alcunha de gênio, mesmo que não precisasse mover uma palha.

Sempre quis vê-lo na Seleção e ainda não pude.

Azar da Seleção.

Sorte do Corinthians, que o abraça de volta.

Em 2013, após sua demissão, disseram que seu ciclo havia chegado ao final.

Por favor, disserte sobre estes sujeitos, Tite:

"Fala muito! Fala muito!".

Obrigado.

Se houve algum ciclo que se encerrou naquele ano, foi o daquele Corinthians, "cansado" de ganhar taças.

Porque o de Tite, no Timão, se não é vitalício, está longe, bem longe do fim.

@_LeoLealC

Foto: Edu Andrade

12 dezembro 2014

Já que ele quer...


Como torcedor do Flamengo e assíduo fã do futebol que Léo Moura já mostrou um dia, acho que está na hora dele parar. Ele já mostrou não ter mais condições físicas para aguentar uma temporada inteira e o momento atual, em que ele ainda não chega a comprometer o time, seria propício a uma despedida "em alta".

Prefiro que pendure a chuteira agora. como ídolo incontestável, sem correr o risco de se queimar. No máximo, que jogue o Carioca e se despeça.

Porém, ele quer continuar. E por isso, creio que é um dever da diretoria mantê-lo por mais uma temporada.

Léo quer encerrar a carreira no Fla e não merece que sua história no clube chegue ao fim com uma dispensa. Seria uma enorme falta de consideração ao serviço já prestado pelo rapaz.

O Leonardo Moura, andarilho, coadjuvante de times grandes, encontrou há 9 anos uma camisa para chamar de sua e se tornou o Léo Moura do Flamengo.

Depois de tantos anos, ele só quer mais um.

E a maior forma de agradecimento do Rubro-Negro por tudo que ele fez pelo clube é fazer a sua vontade.

Analisando de forma sensata, confesso que ainda não sei se a permanência de Léo é boa ou não para o Flamengo.

Mas hoje escrevo como torcedor. E como um dos milhões de agradecidos pelas alegrias que Léo Moura já proporcionou vestindo essa camisa, acho que ele merecia este "presente".

Renova com ele, Mengão!

Ele ainda merece.

@_LeoLealC

Foto: Alexandre Vidal

10 dezembro 2014

Fluminense Football Club. E só


Em 2007, o zagueiro Roger dominou dentro da área e iniciou um período mágico para o Fluminense.
Dali em diante, vieram dois Brasileiros, uns 5 ou 6 anos brigando lá em cima e participações constantes na Libertadores, sendo que uma delas não foi parar nas Laranjeiras por mais um dia de mau humor dos deuses do merecimento.

Nesses anos, até uma permanência na Série A levou merecidamente ares de título.

Calma... Estou falando de 2009!

O Flu conseguiu, há 7 anos, uma estabilidade de competitividade que alguns já duvidavam no fim da década de 90 que alcançaria novamente.

Nesse tempo, o Tricolor foi, de longe, o rival que mais temi.

E então, entendemos que estávamos diante de uma das mais bem-sucedidas parcerias da história do esporte brasileiro.

A bicicleta do Fluminense estava cambaleando. Então duas rodinhas chegaram para estabilizá-la e a tornaram uma das mais potentes do país.

Mas agora elas quebraram e o Flu terá que relembrar como se pedala sem o auxílio.

Por isso, prevejo dois ou três anos complicados para o clube.

Há quem diga que o Fluminense acabou. Claro que não! Mas hoje encerra-se uma sequência que o torcedor não queria se despedir.

Todo ciclo chega ao fim. E o final só é percebido quando cria-se uma expectativa não muito boa do que vem pela frente, após tanto tempo acostumado com a esperança de mais um ano brilhante.

O Flu inicia uma nova caminhada e agradece à Unimed por todos os frutos que a parceria lhe rendeu.

O torcedor guarda as imagens das taças levantadas e os golaços de Fred. E todas elas acompanhadas com o nome da empresa na camisa.

Acabou. Mas enquanto durou, foi espetacular.

Valeu a pena.

Para os dois.

@_LeoLealC

Foto: Ricardo Ayres/PhotoCamera

08 dezembro 2014

Sem graça. Sem vergonha


Eis que surge dos céus a chance de disputar a Série A em 2015.

5 pontos. Só 5 pontos, em seis jogos, eram necessários para não ter risco algum. E o Palmeiras comete a inépcia de levar apenas 1, de 18 possíveis.

A Arena Palestra mal inaugurou e já foi palco do grito de "time sem vergonha" mais justo da história do futebol.

Porque se o time não tem vergonha na cara, os torcedores tem. E eles sabem que o Porco mais uma vez foi rebaixado e deu a sorte da tragédia ser apenas moral dessa vez.

Valdívia ser o salvador da equipe é uma realidade. Depender totalmente de um indivíduo com a coxa de papel para conseguir uma pontuação tão humilde é um escárnio.

Ouvir a verdade vindo da boca dele é lastimável.

Escapar pela incompetência do adversário direto, que não fez sua parte, é um fato. Depender de dois times de férias e uma rara demonstração de hombridade de um rival local para não rolar pela ribanceira, na segunda vez em 3 anos, é inadmissível.

Pouca vergonha, pouco futebol, poucas palavras, muita sorte.

2014 não foi medíocre para o Verdão. Quem dera, pra ele, que fosse.

Dos 100 anos de Palestra, este entra para a lista dos mais amargurantes, mesmo que ele tenha "escapado".

Por detalhes, o Centenário não trouxe um triênio.

Levante as mãos pro céu e não reclame de azar ou injustiça pelos próximos 5, 6 anos, Porco.

O cafajeste Palmeiras fica, tendo a permanência mais ridícula já conseguida em campo por um grande.

Às vezes, ela dói tanto quanto a queda.

Foi o caso.

@_LeoLealC

Foto: Marcos Ribolli

06 dezembro 2014

Aconteceu em 2009: Traidores tricolores salvos por um Magro de Aço


Era dia 06 de dezembro, o palco era o Maracanã. Flamengo e Grêmio se enfrentavam no jogo que poderia dar o título brasileiro ao rubro negro, tirando-o da fila de 17 anos.        

O Grêmio não tinha nada a buscar no Campeonato que não fosse entregar o jogo e tirar o título do maior rival Inter. O Tricolor Gaúcho estava proibido pela sua torcida de vencer o jogo. Seria uma das maiores tragédias do Imortal ver um certo povo de vermelho comemorar o tetra à beira do Rio Guaíba por sua causa.              

Para o povo tricolor, era um dos jogos mais importantes do ano, mesmo que a equipe estivesse apenas cumprindo tabela naquela última rodada. Sem ter noção disso, o técnico tomou uma das decisões mais equivocadas de sua vida e escalou um time de garotos.                  

Ele não parou pra pensar que o time principal, já de "férias", faria a vontade da torcida, não colocaria o pé em nenhuma dividida e daria o título ao Flamengo sem sustos. Ele não percebeu que um time de meninos começando a vida no futebol ia correr e dar o máximo nos 90 minutos pra mostrar serviço e buscar vagas no time para o ano seguinte.

Ele não sabia o risco que estava correndo.        

No meio de 84 mil rubro-negros naquele Maraca, via-se uns 4 ou 5 gremistas. Entre estes estava Aribaldo, gaudério nato, do chimarrão de cada dia. O sujeito era gremista até o fígado, jurava ter sangue azul e que o Grêmio estava acima de tudo, até do Grenal.

Ele jurava estar torcendo pela vitória de seu time, mesmo sabendo das consequências. Tentava se convencer disso.

Mas bastou o careca do apito dar início à peleja e os inocentes tricolores começarem a dar suas vidas em campo para que o cidadão sentisse algo diferente.

Por que o alívio com uma defesa do Bruno? Cadê a empolgação no escanteio do seu time?

Gol, Roberson. Onde está o soco que Aribaldo sempre aplicava ao ar por alegria com um tento de seu Grêmio?

Ele lamentou. E vendo a imperdoável vontade dos meninos contra um apático Flamengo, decidiu conformar-se, sentar-se na cadeira e escrever algo em tom de rancor e decepção para sua coluna diária do jornal de sua cidade:

" Caros meninos, 

  Oh, filhos da imortalidade, vocês já estão grandes demais para que precisemos explicar que não exigimos que vocês joguem bola, deem show e nos torne plateia de um teatro.

  Nosso único pedido é que honrem e representem o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. E dentro disso, consta algo obrigatório: nunca, NUNCA exalte ou favoreça os vermelhos. 

  Se vocês querem mostrar serviço ao comandante, que fizessem-no nos treinos, em outros jogos, onde e quando quiserem, mas não hoje. 

  Eu também detesto o Flamengo, às vezes até esqueço a parte preta da camisa deles. Tenho 1982 engasgado até hoje, mesmo com a vingança de 97. Mas dessa vez, era preciso que colaborássemos com os malditos rubro-negros.

  E vocês sabiam disso, sim.

  Vocês, jovem traidores, fizeram de tudo para que fôssemos cercados pela alegria da metade imunda do estado. Com isso, contribuíram para uma das maiores tragédias de nossa história imortal.

  Que vocês sejam despachados e proibidos de pisar novamente no solo fértil do Olímpico Monumental. E que de forma alguma voltem a vestir o maior pano tricolor deste planeta em suas vidas.

 Vocês não merecem.

 Nós somos Grêmio, vocês são apenas jogadores. E não entenderam do que somos parte.


 Traidores! Eu nunca os perdoarei."

Mas para o alívio de Aribaldo, ele estava precipitado e nunca precisou publicar este artigo. Mesmo com a mal-criação dos meninos, um sortudo Flamengo chegou à vitória, ao título e o fez sair dali aliviado, pois seu time havia feito sua parte, mesmo com uma baita teimosia.

Marcelo Grohe, Douglas Costa e Mário Fernandes - três que já chegaram à Seleção Brasileira - devem agradecer diariamente ao presente dos deuses do futebol pelo sucesso na carreira sem que qualquer fardo fosse carregado pra sempre.

Este presente veio do Nordeste, mais precisamente da terra de Pádim Ciço para salvar a pele, a carreira e até a vida de jovens gaúchos.

Hoje, os gremistas não perdoam a traição de um certo Ronaldo.

Ronaldo... Que Ronaldo?

Para Aribaldo, milhões de tricolores gaúchos e 11 inconsequentes traidores, desde aquele dia só há um Ronaldo.

Cujo sobrenome é Angelim.

O Magro de aço.

Que, há 7 anos, se tornou imortal. Dos dois lados

@_LeoLealC

02 dezembro 2014

Vazio


A mãe estava pronta para levar o filho à escola, até perceber que o garoto estava tossindo muito e resolver levá-lo ao médico. Seria um dia até feliz para a criança, que pensou "Oba, hoje eu mato aula!".

Ao chegar, foi informada de que se tratava de uma simples gripe que o menino havia pegado no fim de semana, quando ficou na casa do pai. Foi constatada a esperada virose, que em dois dias passaria. 

Mas enquanto o doutor poluía a receita do remédio com seus garranchos, o menor começou a ter uma sequência de tosses muito fortes, com sons mais graves e uma leve mudança no tom da pele.

O médico achou estranho e resolver examinar o moleque de forma mais detalhada. Ao focar seu aparelho na garganta, percebeu várias bolinhas amarelas na região perto da corda vocal e logo concluiu que, além da virose passageira, o rapaz havia contraído uma infecção que, se não tratada, causaria-o consequências graves.

Os dois voltaram pra casa não muito preocupados, pois perceberam que bastava ele tomar os remédios que estaria curado. Mas quando passaram na farmácia, viram o preço dos medicamentos e se assustaram. 

Assim, a mãe foi obrigada a engolir o orgulho e ligar para o pai do menino, de quem havia se divorciado há 2 meses. Ele tinha bom emprego e melhores condições financeiras que a humilde moça, que recebia um salário modesto e se virava do jeito que podia para cuidar sozinha da casa.

Folgado, marrento e soberbo, o ex-marido foi bem irônico na ligação, aproveitou para humilhá-la e culpá-la pela separação, mas aceitou e disse que custearia os remédios.

Porém, apesar do bom salário que recebia, o homem vivia se endividando devido ao seu vício em bebidas, cigarros e bingos. Não cuidava nem de si mesmo e não conseguia assumir a responsabilidade de ter um filho.

Na verdade ele nem gostava da criança. Levava-o para sua casa em alguns fins de semana apenas por obrigação moral e jogar na cara da ex-esposa o fato dele poder dar um presente mais caro ao garoto.

Então, meses foram se passando e em muitos deles o pai viciado não comprava os remédios do filho. A infecção ia piorando e o menino se sentia cada vez mais incomodado com as dores que isso lhe causava. 

E o doutor havia dito: "Se não for tratada, esta infecção se tornará algo muito grave".

O problema atrapalhou o menino em tudo na vida. Suas notas pioraram e ele até repetiu de série na escola. Para piorar, a mãe havia arrumado um namorado que não ia com a cara do moleque e fazia a cabeça da mulher contra o menino. A vida do garoto se tornava um inferno.

Sem saber em quem se apoiar, o rapaz buscava nos avós alguma demonstração de afeto e consideração. E só ali conseguia, de forma breve. 

Um dia, sua mãe foi lhe acordar para levá-lo a escola e percebeu que a criança não levantava. Ele estava desmaiado.

Rapidamente, foi levado ao hospital e reanimado com um soro. Ao deitar na cama, ouviu um triste diagnóstico do médico: a infecção havia tomado conta de todo o corpo e as chances do menino se salvar eram bem remotas. 

Ali ele ficou, dia após dia internado, tentando reverter algo que já era praticamente irreversível.

Seu pai havia deixado com que ele chegasse nesse amargurador estado. Sua mãe, havia praticamente o abandonado. Seus avós, os que realmente o amavam, sofriam. 

O pior estava pra acontecer, e não sobravam mais oportunidades de consertar o descaso pelo qual o garoto foi tratado.

Até que o dia chegou e sua hora também. Como anunciado por um bom tempo, ele foi embora, num dolorido sentimento de indiferença, quando já não era mais surpresa para ninguém.

O pai não quis nem dar de cara com o resto da família e se mudou para longe, pois sabia que era o principal culpado. 

Covardemente, a mãe atrelou a culpa apenas ao ex-marido, esquecendo seu abandono e tentando se sair como vítima da história.

Assim, os pobres avós foram obrigados a aceitar a situação de ver seu amado neto ter um fim tão melancólico.

Breno de Freitas Rodrigues foi mal-cuidado, mal-acompanhado e morreu da forma menos desejada: sem ser notado.

Para sua infelicidade, Breno foi um ser-humano, não um clube de futebol, patrimônio de um país.

Pois para esses, existe a chance de renascer.

@_LeoLealC

27 novembro 2014

O time do ano. O Galo da história


Completa. Dos adjetivos que achei, este foi o mais próximo de resumir uma conquista heroica e soberana ao mesmo tempo.

Não faltou nada, absolutamente nada.

Tentei buscar na memória e confesso que não lembro de ter visto tanta vontade de vencer em um grupo. Ninguém corre mais que eles. Se correrem o dobro, eles fazem o triplo. 

Sem reclamar de cansaço, do calendário ou do fim de temporada. Uma energia que é recarregada a cada olhar nos olhos do companheiro, que sem abrir a boca já diz que acredita. Uma conexão time-torcida que nem conseguimos distinguir quem é quem.

O atleticano não vê mais um time que o representa. Ele se vê em campo.

Pois finalmente entenderam a fé desse povo, que sempre buscou transmiti-la dali de cima. Enfim, eles conseguiram.

Se da arquibancada eles creem, no gramado eles têm certeza.

É essa ambição pela vitória que prova que 2013 não foi acaso. Não tem mais Ronaldinho, Bernard, Jô e Cuca, mas e daí? O que mais é necessário se o espírito do desbloqueio do impossível fica?

Nesse mais novo dia histórico, o atleticano que pagou mil pratas para presenciar mais uma festa em seu salão preferido teve seu dinheiro bem gasto. Já o que gastou esta fortuna para ver um jogo, uma final, deve ir ao Procon pedir o ressarcimento. 

Porque vimos um massacre desde o início, um jogo de um time só, já definido no intervalo. Assim, não vimos o Atlético Mineiro que nos acostumamos.

Mas convenhamos, era impossível, Cruzeiro. E se houve algum pé atrás quanto ao fato da final já estar ou não decidida antes do segundo jogo, a culpa é justamente do Galo, que tornou o milagre normal.

Não adianta, só funciona com ele.

O Atlético Mineiro chega ao auge de seus dias. O tamanho disso, agora, será apenas celebrado. A real dimensão virá daqui a uns 10, 15 anos, quando de fato começarem as memórias nostálgicas.

E garanto: não foram só os atleticanos que tiveram prazer em ver este time jogar.

Um time que conseguiu contagiar o país em uma competição nacional, onde não há a justificativa de que a torcida é apenas pelo futebol brasileiro.

Um grupo que não satisfeito em dividir o brilho desta temporada com seu rival, fez questão de acabar com o 2014 do inimigo e lhe tomar o posto de time do ano.

É o time do ano. É o Galo da história.

A Copa do Brasil é dele. 

O maior Atlético x Cruzeiro de todos os tempos, também. 

Daqui a uns anos, é isto o que de fato irá importar.

Quando o atleticano usar este argumento, será bastante complicado abafar.

O Atlético Mineiro viciou em conquistar tudo que vê pela frente.

E se ninguém interná-lo numa clínica de reabilitação, temos o favorito ao Brasileirão 2015.

@_LeoLealC

24 novembro 2014

Deixe-nos sonhar


Parabéns, Cruzeiro. Mas já está na hora de dar um tempo, não acha?

Eu quero meu Brasileirão de volta. Disputado, equilibrado, sem que as emoções finais se resumam em brigas por vagas ou permanências.

Não sou fã da fórmula de pontos corridos, mas sempre achei o Campeonato Brasileiro o mais adequado a se praticá-la. Uma menor diferença técnica e econômica entre os clubes teria tudo para nos trazer 38 rodadas empolgantes.

Até vir você, Raposa, e acabar com qualquer expectativa de nossa parte.

Para monopolizar a disputa e tornar injusto o formato que busca justiça. E não venha me dizer que é conveniente o fato de alguém saber, já na metade da competição, que chegará ao título bem cedo.

Cadê o direito dos outros de sonharem? Cadê aquele jogo dramático para dar alguma gota de suor à conquista que vem de forma tão tranquila, racional, indiscutível?

Cruzeiro, você é chato.

É aquela criança que chama os amigos para jogar em seu video game novo, que só ela sabe jogar, tornando a disputa sem graça e iníqua.

É aquele playboy que causa raiva nos amigos de classe média que o veem reclamando com sua mãe por não ter lhe dado aquela camisa de 400 reais, enquanto todos aguardam uma promoção qualquer para encherem seus guarda-roupas.

Acostumado com a imponência e a avassaladora superioridade do primeiro turno, se disse em crise quando se viu "apenas" melhor que os outros.

Talvez por viver cheio de vaidade, ou pelo medo de que o já certo título fosse menos valorizado ao ser conquistado num momento nem tão brilhante quanto o início.

Besteira... Lembraremos do Cruzeiro campeão, que nos encanta em campo, e esqueceremos aquele que nos revolta forçando uma má fase.

O que não vi, de forma alguma, foi o tal Cruzeiro das páginas heroicas e imortais.

Vi somente páginas bem escritas, poesias de estrofes equivalentes em sutileza. Sem enredos de angústia e finais triunfais.

Regular.

Pois ser o melhor se tornou rotina.

E neste domingo, dia da coroação do que já sabíamos, até o céu deixou que nuvens carregadas o cobrissem em território mineiro, para que só um azul fosse condecorado.

Salve o campeão! Que diz ser tão combatido.

Devolva-nos o Brasileirão, Cruzeiro!

Ou, pelo menos, este combate.

@_LeoLealC

23 novembro 2014

É pouco. Muito pouco


Eles foram. No calor do pré-verão, quatro da tarde, esperando salvar 12 desalentadores meses em 90 minutos de uma festa programada.

O Vasco, então, estava perdoado.

Se ele precisava de apoio, não pôde resmungar neste sábado.

Era obrigação do time que a penúltima rodada não valesse mais nada e que ele já estivesse até com o título garantido. Mas sua inércia durante 36 jogos fez com que valesse, para o desprazer dessa gente.

Eles chegaram ao Maraca buscando acabar de vez com um sofrimento desnecessário, procurando uma alegria que essa fase vivida insiste em esconder.

Eu também estive lá. Mas posso dizer que testemunhei um verdadeiro crime.

Eu vi um Vasco satisfeito com um empate contra o Icasa, diante de sua torcida. Um Vasco realmente com medo de perder o acesso e demorando para cobrar laterais e tiros de meta nos minutos finais.

O apito final antes iniciaria a festa do alívio, mas foi a partida de uma reação tumultuada pelos sons graves nas vozes de quem se sentia constrangido em ver aquilo.

É triste subir ouvindo "time sem vergonha" de quem o ama. Pior do que isso é saber que eles estão certos.

Na saída do estádio, semblantes cabisbaixos e inconformados calavam apenas com o olhar qualquer manifestação de euforia, pois não havia como aceitar alguém comemorando tão pouco de quem pode tanto.

Não havia um festejo, um alívio, uma expectativa. Não se via uma esperança de um 2015 bom.

Havia apenas a desolação de saber que o principal objetivo do dia mais uma vez não foi alcançado: a honra.

Se existisse algum resquício de subjetividade na Justiça Comum, o torcedor que entrasse com uma ação teria o legítimo direito de ser ressarcido com o valor do ingresso.

Mas ele não quer de volta o dinheiro, e sim o Vasco da Gama.

Não esse, que voltou à Série A, e sim o que lhe dá algum motivo além da paixão para pegar o trem e ir vê-lo de perto na esperança de ser recompensado.

O Vasco, no mínimo, desrespeitou o vascaíno.

Eu não farei o mesmo. Por isso não irei enaltecer uma "conquista" com um fim tão melancólico que fez lembrar o rebaixamento.

Assim, a única forma de resumir minhas palavras de forma nem tão negativa é transformá-las num modesto "bem vindo de volta".

Pois o Vasco da Gama faz muita falta à Série A e ao futebol.

Mas sua versão deste ano não deixará saudade alguma.

Até 2015, Vasco.

E mesmo que ele ainda não chegue, 2014 já pode ir embora e nunca mais voltar.

Muito menos em lembranças.

@_LeoLealC

21 novembro 2014

Baixa a bola aí, galera!


E quem te disse que eu ia deixar alguém colar em mim?

Quem foi que falou que eu tinha esquecido esse campeonato?

Você caiu nessa história de que eu estava em crise e fragilizado?

Hahaha, trouxa!

Olha, não vou esconder não. Quero mesmo é ganhar "deles" na final. Ser vice logo pra eles vai acabar com o meu ano. E minha vontade mesmo é ter essa taça que não vejo há 11 anos.

Mas eu não abandonei essa coisa chata cheia de jogos sem graça que nunca precisei de todas elas pra ser campeão.

Eu apenas ganhei.

Desculpa, mas eu já tinha essa certeza há uns dois meses.

O que? Meus tropeços lhe causaram alguma perspectiva de uma corrida pela liderança nas últimas rodadas?

Hahaha, trouxa!

Eu estou aqui pra tornar os pontos corridos ainda mais chatos e acabar com sua esperança.

E já que vocês me encheram o saco, tratei de provar que ainda estou aqui e terminar logo esta palhaçada.

Eram os dois jogos "mais difíceis" dos que restavam? Sim, mas eu sou melhor que eles, e precisei de um tempo em cada jogo pra mostrar isso.

Lembra ano passado, naquela história de que os 7 pontos de diferença pro Botafogo virariam apenas 1? Pois é, viraram 11.

Mas nesse ano, você disse que o final do campeonato ia "pegar fogo". Pegou, porque eu queimei sua esperança, de novo.

Domingo tem a festa. Nem estou muito a fim de ir. Só vou pra tomar um refrigerante e comemorar logo o fim dessa chatice. Volto cedo pra casa.

Porque o que quero, mesmo, é outra coisa.

Isso aqui já era meu há muito tempo.

Só não sei quem foi o louco que ousou cogitar outra opção para o título.

Hahaha, trouxa!

@_LeoLealC

19 novembro 2014

Sábado, pela honra


Eu entendo este fim de ano melancólico do Vasco da Gama. Favorito, na obrigação de ser campeão e sobrar na Série B, o time era pressionado a resolver logo a situação. Com isso, só a adiou.

Somo isso ao absurdo que ocorreu em alguns jogos. O Vasco entrou em campo e olhou Santa Cruz, Ceará, Avaí, América-RN, Ponte Preta, Atlético-GO de frente, quando deveria vê-los de cima, superior.

De tanto se ver em condições iguais a médios/pequenos e jogar por empates, o time conseguiu. Logo 14!

E depois da ficha cair que a campanha era vergonhosa e que as chances de título diminuíam a cada rodada, houve um desânimo, que bateria em qualquer time grande com um elenco capaz de subir com tranquilidade.

Pois ir para um jogo sabendo que o máximo que poderá atingir a partir daquele momento não o livra mais do marasmo faz a motivação cair em 50%.

É a única explicação em que achei algum sentido, mas não justifica, de forma alguma, esse sufoco desnecessário.

O Vasco não pode se contentar com um terceiro lugar na Segunda Divisão, muito menos procurar explicação para um vexame nela.

Um gigante não comemora título de Série B, mas é inaceitável que ele se acomode vendo dois em sua frente.

Restou apenas o acesso. E foi bom que ele não tenha vindo nessa noite de terça, para só 9 mil pessoas.

Tem que ser no Maraca, numa tarde de fim de semana, pra 50 mil.

Para que haja alguma motivação. Para que seja o jogo, e não um jogo.

Para que o grito de "O campeão voltou", já baleado em sentido, não seja enfraquecido em vozes.

Para salvar o ano.

Conseguir o acesso é o objetivo. Conseguir apenas o acesso é muito pouco para o Vasco da Gama.

Mas nesse triste e agonizante 2014, restou jogar pela própria honra.

Sábado, 22 de novembro. Lugar de vascaíno é no Maracanã.

E o lugar do Vasco é na Série A.

Mesmo que o elevador tenha dado problema.

@_LeoLealC

15 novembro 2014

E se faltasse o Flamengo no mundo?


Seja na terra, seja no mar, eles dizem.

Eu digo que vai além disso, e ultrapassa os limites do que podemos enxergar.

Só uma canonização daria o devido reconhecimento aos 6 remadores que decidiram fazer a reunião mais importante da vida de uma Nação.

Ela surgia ali.

Eles, que dizem que o gol do Pet valeu um Mundial de Clubes.

Eles, que dizem que o Rei do futebol foi o que vestiu a 10 rubro-negra e encantou o mundo na década de 80.

Eles, que tomaram, na cara dura, o maior palco do futebol mundial e chamaram de "nossa casa". Eles, que não têm dúvidas quanto ao campeão de 87.

Discorda? Não ouse questionar, aconselho.

Eles estarão em maioria, e seja lá quem estiver com a razão, vencerão a discussão.

Tá, não vou forçar. "Eles", não.

Nós.

Afinal, não há por que esconder que Flamengo eu hei de ser. É o maior atestado de orgulho a ser assinado por quem foi salvo, em novembro de 1895, de sentir um eterno desgosto profundo.

O que seria dessa Nação sem a combinação de preto e vermelho para admirar, sorrir e chorar?

O que fariam estes apaixonados sem o maior motivo pra sair de casa numa tarde domingo?

O que seria dos que odeiam a instituição sem essa causa de alegrias nas derrotas? É gostoso, para eles, ter o adversário do Flamengo como o time do coração por 90 minutos.

Quem eles esperariam a novela acabar nas quartas-feiras para torcer contra?

O Flamengo torna-se maior por isso. E quanto maior o tamanho, maior a queda.

Por isso, ele torna o futebol mais divertido.

E se deixar chegar, lembra?

Há 120 anos, o Flamengo chegou.

Para ser o mais querido e o mais detestado. O mais cobrado e o mais exaltado.

Para que o Criador lá de cima pudesse dar o aval: "Agora sim, pode liberar essas dezenas de milhões de almas reservadas. Enfim, eles podem nascer e viver em paz".

O Flamengo completa o futebol. E faz muito bem à ele.

Até para quem não sente o mínimo prazer em vê-lo brilhar.

@_LeoLealC

12 novembro 2014

Pra sempre


É difícil, no futebol, garantir que algo será memorável antes mesmo que aconteça. Às vezes, uma final muito esperada é decidida com um 2x0 no primeiro tempo e enfraquece as lembranças, que seriam fortalecidas com um gol no fim ou uma disputa de pênaltis.

Mas o que veremos hoje e dia 26 já nos dá a certeza:

Será o maior Cruzeiro x Atlético da história.

Este poderia ter um concorrente. BH pulsava por essa final em 87, mas dois gaúchos deceparam o sonho dentro do Mineirão.

Fez-se a justiça, pois um confronto como este não merecia que seu vencedor tivesse sua taça furtada pelo campeão da Segunda Divisão da época.

Temos dois times que não chegaram até aqui por acaso. Um lembrou que também pode levar a Copa do Brasil e, com isso, nos lembrou que ele estava nela. O outro criou um vício em jogos históricos e, mesmo depois da perda de seu craque, quando já não esperávamos tanto da equipe, trouxe de volta o espírito do ano passado.

Juntos, os dois mandam no nosso futebol desde 2013.

Moro no RJ, mas se pudesse estar em Belo Horizonte nessas duas semanas pra sentir esse clima de expectativa, pegaria o avião agora mesmo.

Que a pobre vitória dos marginais, que deixou uma das maiores decisões da história do nosso futebol em jogos de torcida única, não enfraqueça nem atrapalhe essa festa disfarçada de uma guerra de 180 minutos.

Que tenhamos o futebol como o grande vencedor nessas duas noites épicas.

O Cruzeiro é o time do ano. O Galo é o time do momento.

No atual corpo do futebol brasileiro, Atlético e Cruzeiro são os dois pulmões.

Mas chegou a hora em que eles não poderão mais trabalhar juntos. Um vai perder o ar, enquanto outro irá tirar o fôlego da metade dos mineiros.

Bom dia pra você, que está respirando Cruzeiro x Galo.

Uma boa final e um feliz maior Cruzeiro x Atlético da história.

Este já é inesquecível.

Mesmo que a bola ainda não esteja rolando.

@_LeoLealC

11 novembro 2014

E o Cruzeiro?


Você sabia que, se pesquisar, vai descobrir que houve outra semifinal além de Galo x Fla e que ela também foi dramática?  

Sabia que, além do Atlético-MG, há um outro finalista, líder - quase campeão - do Brasileirão e melhor time do país há 2 anos?

Lembro de poucas histórias do Cruzeiro com viradas monumentais, títulos na raça ou vitórias na sorte. Ele joga futebol, e só. Quando vencia, era pelo simples fato de ser o melhor.

Hoje, embora possemos enxergar uma diferença considerável na tabela do Brasileiro, estamos num momento onde seu rival se equipara. Adversários diminuíram a brutal diferença técnica que existia da Raposa para os outros, e por isso ela entrou em "crise".

Olha, como eu queria ver meu time numa crise dessas!

Esquecemos do Cruzeiro por um bom tempo na Copa do Brasil. Sua sorte no sorteio das chaves o fez coadjuvante até a semifinal. 

Mas agora ele está ali, tão perto da taça quanto seu rival, lembrando-nos de sua existência. Eles querem retomar a fama de copeiro e terminar esta história assinando o último capítulo.

Eles vão jogar bola, já que não veem motivos para não fazer no mata-mata o que tem dado tão certo nos pontos corridos. E é por isso que são grandes suas chances de levar o caneco.

Ele não é o protagonista dessa decisão. Também não é seu rival, e sim o confronto em si. 

Não houve uma final antecipada quarta-feira no Mineirão.

Ela acontecerá no mesmo lugar, porém na data prevista.

E não esqueça, o Cruzeiro está nela.

@_LeoLealC

06 novembro 2014

Perdeu a graça


Quando o Galo iniciou, em 2013, o processo de explicação sobre seu real tamanho, ele encantou, criou o mantra do "Eu acredito" e acrescentou belos e surpreendentes capítulos à história do nosso futebol.

- Tá, mas se em 2014 a história está sendo escrita tão linda quanto no ano passado, por que "perdeu a graça"?

Porque não é mais surpresa.

Eles não vão mais pro Mineirão ou pro Horto acreditando na vitória, pois já têm a certeza dela. Quem os enfrenta sempre lamenta a vantagem que fez no jogo de ida, seja ela qual tenha sido, dizendo que precisava mais. Quem vê de fora não tem medo de afirmar: "O Atlético vai virar".

E qual a graça de ficar ansioso pra um jogo que você já sabe que eles vão conseguir?

O "Eu acredito" virou "Eu tenho certeza", o "Será?" agora é "Vai", o "Conseguimos" virou "Eu já sabia".

O milagre, agora, é rotina.

Com toda justiça, surgiu o slogan "Nunca duvide do Galo".

Mas hoje, eu duvidei. Pois em certas situações, é mais leve se enganar do que aceitar.

Até eles fazerem o segundo gol e eu, pela primeira vez, sentir isso na pele e já me conformar que o Galo, mais uma vez, chegaria lá.

Então, posso dar o conselho: não duvide, mesmo. Vai doer menos.

É o melhor Galo da história.

O menos interessante de se torcer, afinal, eles já sabem o que vai acontecer no fim.

E o mais angustiante de se enfrentar. 

Você vê o tempo passar, torce para que o sofrimento vá se adiando para talvez conseguir o milagre de impedi-los da virada.

Mas não. Por ora, esqueça. Não tem jeito, seja como for, vai dar Galo.

Vem aí a final.

E se no segundo jogo a missão deles beirar o impossível, já temos o campeão.

Surge uma epidemia atleticana.

E ainda não há remédio que ajude a combatê-la.

@_LeoLealC

24 outubro 2014

O que não mata...


- E aí, mãe, qual a sobremesa de hoje?

- Tem mais um pedaço daquela torta deliciosa de chocolate pra você, filho.

- Ah, de novo? Todo dia é isso!?

- Ué, mas você não gostava tanto?

- Hum, sei lá. Estou meio sem fome. E sendo a mesma coisa todo dia, perde a graça.

- Não te entendo. Vivia obcecado por essa torta, sempre me pedia. Deu até o nome de Bestia Negra pra ela! Agora, quando eu resolvi preparar várias de uma vez, você recusa.

- É que virou costume, mãe. Você podia variar um pouco às vezes.

-  Bom, você que sabe. Ela está na geladeira. Só pegar. E gostaria que eu não tivesse feito-a com tanto carinho à toa.

- A senhora fez pra mim e ela já é minha, certo? Então, deixa aí. Quando eu quiser, como.

- Ah, quer saber?  Já que você está de palhaçada, vou dá-la pros seus irmãos.

- Não! Deixa que amanhã eu como! Ela é minha!

- Sua uma ova! Vou ali na sala ver quem quer.

- Tudo bem, deixa pra eles. Quero goiabada mesmo.

- Então vai no mercado e compra.

- Ué, acabou?

- Sim!

- Mas que droga! E a torta? Deu pra quem?

- Você é sortudo, hein! Nenhum deles quis. Ela sobrou pra você, e está em cima da mesa.

- Hum, fazer o que... É o que tem pra hoje.

- Então come, caramba!

- Já que ninguém quer, terei que comê-la.

- Para de reclamar de barriga cheia! E come logo!

- Tá bom! É... Até que é gostosa.

@_LeoLealC

16 outubro 2014

Judas e o milagreiro


João foi ao Mineirão pela primeira vez, acreditando no seu Galo, na certeza de que o confronto ainda estava em aberto.

Ele sempre jurou ser atleticano até o pé, daqueles que não aceitam nada de cor azul em sua casa. Nasceu e morava em Ituiutaba, bem longe de BH, e só havia visto o Atlético de perto quando há muito tempo a equipe foi enfrentar o time de sua cidade natal, no Campeonato Mineiro.

Há dois meses, João se mudou para a capital e agora pretende acompanhar seu time no estádio sempre que puder.

Isso, se o peso que hoje caiu sobre sua consciência deixar.

Era o primeiro jogo decisivo de sua vida. O cara entrou no Mineirão abarrotado de gente e se encantou. Mas, supersticioso como sempre foi, já lamentou na entrada do time:

"Droga. Essa camisa branca só dá azar. Logo hoje, Galo?".

Bola rolando, bico pro alto... gol do Corinthians.

Mais dez minutos, um gol perdido de cara e João, como um traidor, se levanta e vai em direção à saída. Um torcedor, que nem lhe conhecia, percebe e o para pra perguntar:

- Vem cá, você já vai embora?

- Sim, vou ficar aqui fazendo o que? Já era!

- COMO É QUE É? Você se esqueceu do que significa essa camisa que está vestindo? Não lembra o que vivemos ano passado?

- Cara, precisamos de 4 gols. Tardelli cansado, André em campo...

- Ele não está nem jogando! Que jogo você está vendo?

- Ah, que se dane! Hoje não dá mais pra ter milagre!

- Não dá é o car#$*&#! Fica nessa p&@$! Aqui é Galo!

- Eu não! Vou pra casa dormir!

Assim ele foi, sem nem se importar com o dinheiro que havia desperdiçado.

Chegando em casa, ele liga a TV por curiosidade e se depara com o 2 x 1.

- Uai, será?

- Mas peraí... Por que eu não estou lá com eles?

Nesse momento, ele já não sabia se estava torcendo contra ou a favor, se era melhor seu time se classificar ou livrar-se da consciência pesada.

3... 4! Por força de hábito, João vibra, tira a camisa, bate na parede e comemora como um louco o gol antes impossível. Até que ele se toca e cai de joelhos chorando.

Mas não de alegria, como em 2013, quando assistia a aquilo tudo de sua casa, bem longe dali.

Dessa vez eram lágrimas tristes, mesmo que Galo desse motivos para um sentimento totalmente diferente.

Caía a ficha de João, que havia estragado o dia em que o Clube Atlético Mineiro transformaria em um dos melhores da sua vida.

Assim como fez com milhares de fieis seguidores que não o abandonaram.

Todos aqueles ganharam mais uma história pra contar.

João, não.

Neste dia histórico que o rapaz desperdiçou, ele só tem a lamentar e se desculpar com o Galo e a Massa.

Se depois de hoje João iniciará o processo de aprendizado sobre o que é ser atleticano, ainda não há como saber.

Mas quanto a ele, a Massa já tem uma certeza:

"Você não nos representa".

@_LeoLealC

13 outubro 2014

"Foste herói em cada jogo..."


É quase impensável a ideia de um time grande tratar a salvação do rebaixamento como algo a se celebrar, afinal não é um feito, e sim a escapatória de um vexame.

Porém você, Botafogo, está perdoado.

Do mesmo jeito que pode não ser aceitável se contentar com tão pouco, não é nada imaginável um grupo de profissionais que não recebe há 8 meses se esforçar tanto para honrar a instituição que representa.

A diretoria não paga, a torcida não comparece e o presidente manda meio time embora. Seria muita maldade jogar toda a responsabilidade nas costas dos que sobraram, a maioria garotos.

Mas a sorte deste Botafogo é que o que falta de dinheiro, jogador e torcida no estádio sobra em vergonha na cara e hombridade nos que vestem sua camisa.

E por isso, eles não merecem cair.

No Amazonas, longe de casa, da trégua e tecnicamente do adversário, tinha-se a expectativa de iniciar-se a contagem regressiva pro que seria o iminente rebaixamento. Mas lá foram eles, gladiadores travestidos de jogadores, trazer os três mais incríveis pontos que alguém já buscou neste campeonato. E contra quem há pouco bateu o líder.

Odeiem a diretoria, mas confiem e tenham orgulho de vosso time, botafoguenses. Eles estão lá por vocês, pela própria honra e pela estrela que carregam, mesmo sem ver a cor do faz-me-rir há mais de 200 dias.

Eles fizeram o rebaixado Botafogo voltar a ser apenas um ainda favorito a cair. Merecem escapar pelo o que estão fazendo, mesmo já não tendo a obrigação.

O único dever desta equipe era a dignidade. Isso, ela está cumprindo.

E a única obrigação que resta é sua, botafoguense.

Esteja ao lado deles.

Afinal, eles estão ali por você.

@_LeoLealC

29 setembro 2014

Aconteceu em 2013: Ingratos e mal-acostumados tricolores


João Paulo II, para os tricolores, é muito mais do que um ex-papa. É um santo padroeiro, um ser com poderes lá em cima para salvar o Flu quando necessário.

O Fluminense fez de João de Deus tricolor e ele aceitou. Creio que ele tenha ido embora apenas para sentar ao lado de Nélson Rodrigues durante os jogos e lhe contar o que acontece.

A torcida do Flu criou o costume de pedir sua bênção durante os jogos. E isso já havia deixado de ser um grito de incentivo. Tornou-se um mantra.

Em 2008, o Tricolor viveu uma história de tamanho encanto que parecia ser escrita por ele. Até que o lastimoso e inesperado fim daquela caminhada tirou o incrédulo torcedor das nuvens sobre as quais pisava.

João faz o que pode, mas nem sempre ele consegue.

Então o Flu começou a viver uma época de conquistas consecutivas, sem precisar tanto dessa ajuda extra. Mas não era por isso que ele merecia ser menos lembrado.

Nesse período, ouvia-se ainda, às vezes, ecoar essa procissão em arquibancadas pintadas de verde, branco e grená. Porém, não se sentia a mesma intensidade nas vozes. Era algo que havia enfraquecido.

Mas a época das vacas gordas, uma hora, daria uma pausa. E eles, então, lembrariam do salvador.

Era o dia 17 de novembro de 2013, o palco era o Maracanã. O Flu, que demorou muito a perceber que sua briga naquele ano era para não cair, enfrentava o São Paulo, que já não tinha mais nada a buscar na competição.

Embora eles não aceitassem, era um jogo decisivo. E para diminuir ainda mais a chance da ficha cair, era uma partida onde deveria-se buscar a sobrevivência, não mais uma glória.

Então, depois de saírem perdendo, empatarem e se verem no sufoco no segundo tempo, eles entenderam.

E lembraram dele.

Foi a primeira vez desde 2009 que se pôde ouvir o "A benção, João de Deus" com tanta força e sinceridade. Era caso de apelação.

Eles não viam saída, a não ser o Papa tricolor.

Por isso, saíram.

Os 3 anos de poucas lembranças? Ele perdoa.

Bola na área, a cabeçada, a salvação.

Contra o mesmo São Paulo, na mesma trave, no mesmo fim de segundo tempo.

Te lembra algo de 5 anos passados, tricolor?

Caso a resposta seja positiva, você teve a mesma alegria e o mesmo choro de alívio naquele dia.

Com a ajuda do mesmo mediador.

Questões jurídicas à parte, sem aqueles 3 pontos, o Fluminense estaria hoje na Segundona, independente da perda de pontos da Lusa.

Aliás, não duvido que João tenha feito de tudo lá em cima para Héverton estar com saúde e bem-disposto pra estar garantido em campo no tal jogo polêmico.

O Fluminense se salvou. No jogo e no campeonato.

João estava lá, com sua paixão pelo Tricolor e, principalmente, com sua bênção.

Nem sempre necessária.

Mas quando solicitada, sempre atendida.

@_LeoLealC

Foto: Alexandre Cassiano

28 setembro 2014

O lance

A rodada foi movimentada, teve distâncias encurtadas tanto em cima quanto em baixo na tabela, virada, 3 gols em 5 minutos, gol no fim, etc.

Mas uma jogada tinha tudo pra fazer parte da abertura de alguns programas esportivos na TV por um bom tempo, não fosse uma defesa sensacional, que tornou o lance ainda mais incrível.

Foi no Maracanã, na grande vitória do embalado Grêmio contra o Botafogo, que a cada rodada dá mais sinais de preocupação.

O segundo tempo mal havia começado, o jogo ainda estava 0x0 e, com um minuto, Sheik recebeu de Ramírez e finalizou para Grohe defender.

Mas não foi um passe, nem uma finalização e nem uma defesa.

Foi o lance do jogo, da rodada e da semana.

E quem ousar reparar que o voleio foi com a canela merece ser preso!

Confiram no vídeo abaixo (o melhor que achei). A jogada acontece por volta do momento 1:45.


Desculpe, Barcos. Você quase foi o destaque da partida.

@_LeoLealC

18 setembro 2014

Gritai por nós


Emerson Sheik é um indivíduo autêntico. Polêmico, irônico, um louco que não liga para a repercussão de seus atos.

Com a bola no pé, decisivo e incontestável por onde passou. Fora do campo, alguém com quem eu tinha certa implicância.

Eu não achava legal a ideia de exaltar a personalidade de um sujeito que falsifica o RG, é dispensado de um clube por ser pego cantando música do maior rival e que diz que "nenhum dinheiro o tira do Corinthians", quando na verdade estava praticamente fechado com o Flamengo, e fica no Timão apenas porque o clube fez uma proposta maior.

Hoje, concordei com a decisão do juiz. Ao meu ver, ele merecia sim a expulsão pela jogada infantil. Talvez por isso, não tivesse total razão para se expressar daquela forma.

Mas quem daqui a 10 anos vai lembrar da partida e dos momentos anteriores à declaração? Portanto, que se dane!

Sheik procurou a câmera e resumiu nosso pensamento em 8 palavras.

Todos têm a vontade de pronunciar a mesma frase publicamente, mas só ele teve a coragem.

Assim, ganhou um fã e 100 anos de perdão.

Que o dia 17 de setembro seja um marco de uma mudança a longo prazo. Que os clubes tenham um espelho neste rapaz, aprendam que suas vozes são fortes e que juntos, podem combater o "Brasil que dá certo" do Parreira e gerir nosso futebol com uma competência proporcional à nossa importância.

Márcio Passos de Albuquerque é um tremendo 71. Emerson, o cara.

E que ele não seja punido.

O que, infelizmente, não acontecerá.

Porque como sabemos, ela "é uma vergonha".

@_LeoLealC

16 setembro 2014

Flamengo, Fernando e o cigarro


Como de praxe, Fernando foi ao Maracanã ver seu Flamengo. Ele é daqueles rubro-negros fanáticos, que comemora Natal também no dia 3 de março, tem o Maraca como sua igreja e garante ter ossos pretos que combinam com o vermelho de seu sangue.

Neste domingo, ele encontrou seus amigos e foi pra trás do gol, no meio da galera, na arquibancada, para ver o jogo em pé, bem como gosta.

Por ser um frequentador assíduo de estádios, está acostumado a sentir cheiro de cigarro, maconha e qualquer coisa proibida que é consumida mesmo na frente dos guardas. Mas desta vez, um cidadão lhe incomodou bastante.

Olha, se não for por causa do nervosismo na hora do jogo, é de se temer que o pulmão do sujeito fumante já esteja parecendo uma cartolina preta. Eram impressionantes 3 cigarros a cada 10 minutos. Um absurdo! Não é possível que o vício do rapaz seja tão incontrolável.

O jogo começa, percorre os minutos e a fumaça não para de voar em direção a Fernando. Já havia se tornado uma situação constrangedora. E mesmo com ele balançando as mãos para afastar a fumaça e mostrar ao indivíduo que não estava gostando nem um pouco daquilo, o homem continuava a fumar.

O senhor atrás, preocupado com o problema respiratório da filha, pediu educadamente para que o cidadão parasse. Em vão. Então Fernando não aguentou:

- Joga isso fora, cara! O jogo tem 30 minutos e desde o início você está com esse cigarro na mão.

- Desculpa, senhor. É que eu estou nervoso. É o calor do jogo.

- Nervoso fica meu nariz cheirando essa desgraça! Segura a onda aí, brother. Essa droga só serve pra fazer mal a você e a todos.

O cara então sossegou por um tempo. Parecia ter se tocado de que ninguém ali estava satisfeito com seu vício compulsivo. 

Mas para o azar de Fernando, os cigarros tinham apenas acabado. No intervalo, o infeliz pegou o maço de seu amigo, abriu e prosseguiu sua destruição pulmonar. 

A irritação estava quase no limite, até que um cruzamento na área corintiana tornou a nicotina saudável.

O domínio, o chute, a rede balançando, a corrida do bandeirinha para o meio. Gol.

No estádio não há tira-teima. Então não precisa ter peso na consciência pra comemorar.

A explosão da galera, o abraço e até a risada quando a ponta do cigarro do sujeito esbarra no braço de Fernando. Cria-se um laço afetivo inexplicável com qualquer um que comemore o mesmo gol com você.

36 mil desconhecidos entre si viram irmãos, filhos de uma mesma camisa. Inclusive Fernando e o fumante.

A alegria fez o homem esquecer um pouco o tabaco. Mas seu agora amigo não.

Pênalti para o Flamengo.

- Cadê o cigarro? Cadê?

- Tá aqui no bolso. Por quê?

- Acende, acende!

- Mas não era você que não estava gostando?

- Não interessa, o que importa é o Mengão. Acende pra sair o gol. Tava dando sorte!

Eduardo na bola... Cássio defende.

- Também, ninguém mandou acender esse troço. Olha lá, zicou!

- Ué?

- Apaga essa porcaria, cara. A fumaça deve ter atrapalhado até o Eduardo!

Todos deixam de se preocupar com o fumante e começam a rir de Fernando. A situação já havia ficado engraçada.

Até que o juiz apita o fim de jogo, Fernando, seus amigos e o cara do cigarro se abraçam, pulam e cantam felizes com a vitória. 

Eles descem juntos, rindo e comemorando o resultado do jogo. Na hora de se despedir, o mais novo amigo de Fernando, que nem sabe seu nome, se desculpa:

- Foi mal, brother. Na hora do jogo eu fico muito tenso. Desculpa aí se incomodei.

- Ih, relaxa, parceiro. Nem percebi a fumaça direito. Tá perdoado, irmão. Saudações Rubro-Negras!

Não fume. Cigarro faz muito mal à saúde e prejudica a respiração de quem estiver próximo. 

Mas se fumar, torça para o mesmo time que o sujeito ao seu lado.

E caso seja ao lado de Fernando, vibre um gol do Flamengo. 

É capaz dele até te dar um isqueiro.

@_LeoLealC

05 setembro 2014

11 homens e uma estrela


O que esperar de um time que não anima no papel, faz um ano medíocre, passa o ano inteiro com problemas de salários, promessas de greve e está com a desvantagem, fora de casa, contra um bom time?

Pouco.

E no caso do botafoguense?

Nada.

Mas este não precisa de um motivo tão adverso para pensar o mesmo.

A toalha já estava sendo arriada no Maracanã quando Jéfferson pegou o pênalti no primeiro jogo e mostrou que ainda dava.

Não, não dava. Né, botafoguense?

Muito menos quando Andrey entregou o ouro e "sacramentou" a eliminação, já no Castelão. Mas ali, eu te perdoo, alvinegro. Nem eu acreditaria.

Wallyson, goleiro, Ramírez, gol.

Ainda dá?

Hum... 49 minutos? É, não dá mais.

E assim terminaria uma melancólica noite alvinegra.

Até porque, o que esperar de um time que diz estar ali apenas pelo profissionalismo?

André Bahia? O que ele está fazendo ali? Por que pode-se acreditar que desse Botafogo sairá um milagre?

Porque seu time, botafoguense, não é formado apenas por profissionais. É, também, por homens.

E acima de qualquer limitação técnica ou qualquer rincha com os sujeitos de terno que não cumprem seus deveres, estão ali uma camisa e uma estrela, que eles tem caráter suficiente para representá-las.

Do André, saiu o gol. Do impossível, o milagre. Do Botafogo, o improvável.

Não dava?

Deu.

E essa Copa do Brasil?

Ainda dá.

Se não quiser, não acredite.

Só aconselho a não desligar a TV muito cedo.

@_LeoLealC

03 setembro 2014

Feliz 2015


O Vasco vai subir. Eu sei, é complicado ter a certeza disso depois de um 5x0 pro Avaí, mas fique tranquilo, vascaíno, é impossível o acesso não vir.

Lógico que, tendo em vista o momento vivido, não parece tão fácil assim. Mas se é possível existir uma boa hora para ser goleado dentro de casa, ela foi 16h, sábado passado. Caíram o técnico incompetente e a ficha. Assim, é esperado que a vergonha na cara faça a equipe se recuperar e, enfim, sobrar na competição.

Portanto, a Série B provavelmente não passará daquele marasmo já conhecido, de empurrar com a barriga e no final comemorar a volta à Primeira Divisão como algo heroico.

Não, não será heroico. O Vasco é obrigado a subir como campeão. É muito pouco para alguém deste tamanho viver todo um ano apenas pra voltar para onde nunca deveria ter saído.

A única chance da temporada do Cruzmaltino ter algum brilho estava na Copa do Brasil. Era o único título importante disputado no ano, sem contar a chance de já chegar na Série A disputando a Libertadores.

A eliminação não muda minha opinião quanto à hora certa da mudança. Era realmente necessária uma chacoalhada antes desse jogo decisivo. Se o zagueiro do ABC não estivesse ali, em cima da linha, isso seria elogiado, até como o tal planejamento.

A bola não entrou, o Vasco não passou. 

O ano acabou.

Ainda haverá um alívio com a volta ao G4 da Série B e, posteriormente, à liderança. Não dou 7 rodadas para que isso aconteça.

Mas após a volta da normalidade, esperar por algo já previamente alcançado cansará a paciência.

Por mais que hoje ela faça falta, esta rotina é bastante chata. O vascaíno sente saudades dela, mas quando tê-la de volta, lembrará o quanto ela é vazia.

Os próximos 90 dias serão de mesmice. A esperança de que algum deles fosse de real expectativa foi embora, hoje, em Natal.

Sendo assim, feliz 2015, vascaíno.

E que ele venha logo.

@_LeoLealC

Foto: Gilvan de Souza

29 agosto 2014

"Macaco!"


Liguei a TV para ver um jogo de futebol. Mata-mata, dois gigantes, estádio bonito, jovens talentos e gente que já defendeu a Seleção. Prometia ser interessante.

Foi. Jogaço! Um jogando o fino da bola, pressionando e o outro achando os gols em lances casuais, tendo conseguido a vitória na competência defensiva e com um pouco de sorte.

O Santos fez um resultado espetacular. Encaminhar, fora de casa, a classificação contra o Grêmio é bem complicado. E o Peixe conseguiu.

Porém, é com decepção que venho aqui escrever não da partida, mas de seu fim.

Não vamos generalizar. Não é a torcida do Grêmio, nem o povo gaúcho. É uma minoria que mal sabe a escalação do time e vai pro estádio com o propósito de atrapalhar. Imagino que sejam os mesmos que gritaram orgulhosos que "O Fernandão morreu", por exemplo.

Tirar o preconceito racial da cabeça de quem o pratica pode ser complicado, mas o racismo é uma questão fácil de se explicar e também de se combater. Basta punir, dar o exemplo.

A TV filmou e está fácil identificar a meia-dúzia de imbecis que se acham melhores que alguém por terem pele clara. Prendam-nos, chamem a imprensa para mostrar a todo Brasil a chegada dos indivíduos à delegacia, ou façam qualquer outra coisa que mostre na prática o que realmente é errado.

Assim, uma criança que estiver assistindo entenderá o significado de alguns valores da vida e verá que a escuridão de uma mente preconceituosa é muito mais grave que uma simples pele negra.

A menina gritou "Macaco!", a câmera flagrou, ela virou o símbolo desta noite trágica para o esporte, está sendo perseguida nas redes sociais, e provavelmente será punida. Talvez, até com cadeia.

Merecido? Muito!

"Ah, mas não foi só ela".

Sim, não foi só ela. Porém, é melhor uma culpada pagar sozinha pelo crime que cometeu do que a grande maioria, de pessoas de boa índole que estavam no mesmo ambiente, ser prejudicada com uma possível punição que obrigue o clube a jogar com portões fechados.

O Grêmio não é o culpado. Sua torcida, também não.

Põe na conta da impunidade, que permite ao sujeito ofender o profissional e dizer que "é o calor do jogo".

Aranha é negro. Pelé também. Já quanto a esta minoria, tenho até dúvidas se trata-se de seres humanos.

A tal Patrícia? É branca.

A camisa do Santos também. Mas esta sim, pode-se dizer superior a alguém esta noite.

Não pela cor, mas pelo o que conseguiu na Arena.

Por sinal, com gols de dois jogadores negros.

#FechadoComOAranha

@_LeoLealC

Foto: Diego Guichard

26 agosto 2014

Um dia verde


Ei, acorda! Olha esse céu azul!

Tá, azul-esverdeado, tudo bem.

Levanta pra vida, levanta a auto-estima. Se levante! Você anda meio relaxado, não acha?

O que? Ah, a sua casa? Ela renasceu, e está muito mais linda.

Sim, ainda é toda sua.

De todos os grandes, tu és o mais elegante. Talvez pela origem, talvez pela Academia.

Talvez por Ademir da Guia.

Talvez pela beleza de seu nome original. Como é bonito se referir a você, Verdão, com a palavra Palestra. 

Bendito seja o Palestra Itália. Maldita seja a Segunda Guerra. Maldito seja o Eixo. Maldito seja a mudança para Palestra de São Paulo.

Bem-vindo, então, seja o Palmeiras. 

O patamar de grandeza que você alcançou, Porco, torna-lhe um eterno gigante. Mas não te dá o direito de adormecer por tanto tempo. Muito menos de entrar em coma.

Não queira se vingar deste povo vestido de verde que tanto lhe cobra e nunca está satisfeito. Eles te amam, e muito.

Não seja tão maldoso.

Hoje, se completam 100 anos da excursão do maior vencedor italiano da época, que deu origem a um vencedor brasileiro, verde. 

Salve a Fanfulla! Salve a manchete daquele dia. 

Surgia o Alviverde Imponente. Salve aquele gramado. Salve aquela luz do céu que o aguardava.

Vida longa ao Divino! Bendito seja São Marcos!

Salve o despertar desse gigante. E que este não seja tardio a ponto de transformar o ano da primeira centena em mais um de dor.

Salve aquele time que pintou seu verde de amarelo para nos representar e aplicou um massacre nos uruguaios.

Salve, então, a Academia!

Salve a Sociedade Esportiva. Viva os 100 anos de Palestra. 

Viva o Palmeiras! Alviverde, imponente. Elegantemente enorme.

Este sim, que de fato é campeão.

@_LeoLealC

Crise?


"Aqueles marginais" - disse Fred, esta semana.

Exagerado? Se ele estivesse se referindo à torcida do Fluminense, seria. 

Se.

Frederico sabe como poucos diferenciar e expressar seu relacionamento com os torcedores do clube e os uniformizados de uma agremiação que não representa a instituição Fluminense. E quando ele diz "marginais", não fala dos que vestem as cores e vão pro estádio torcer, e sim dos que vão pro aeroporto agredir um profissional por causa de 4 partidas.

Nem ele, nem qualquer outro funcionário do Fluminense Football Club tem culpa de ganhar um salário muito maior que a maioria dos trabalhadores. E a partir do momento em que o cidadão assina o contrato e o clube se compromete a pagar, o acordo precisa ser cumprido, independente do valor.

Cobrar algo de direito seu não lhe torna um mercenário. Muito menos dá o direito a um bando de vândalos jogar cone em sua van ou pedras no seu carro.

Há 15 dias, o Tricolor disputava a liderança do Brasileiro. Porém caiu na tabela, deu vexame na Copa do Brasil e foi rapidamente do céu ao inferno. Sim, isso dói.

Mas peraí, inferno? Não, né? Vamos baixar essa bola.

O único time que jogava um futebol pra mostrar que o líder não estava sozinho na briga passou por duas semanas ruins e virou time "sem vergonha", "pipoqueiro" e "mercenário". Fred, por não se esconder dos vândalos, foi eleito o símbolo do momento ruim.

Aí a equipe encontra o Maraca um pouco vazio. Talvez pelo mau momento, talvez pelo medo que alguns tiveram de sair de casa e ver o que aqueles pseudo-torcedores poderiam causar, em caso de derrota. Mas faz 4, mostra que tem futebol pra estar lá em cima e põe os vagabundos em seu devido lugar.

Para você, sujeito que mal sabe a escalação da equipe, vai pro aeroporto bater nos jogadores e finge odiar o Fred, trago-lhe uma péssima notícia:

Ele deixou o dele, duas vezes. Além disso, tem um emprego e é muito bem-sucedido nele.

E você?

Considerando que tem tempo pra sair de casa pela manhã e agredir profissionais, não espero uma resposta positiva.

@_LeoLealC

Foto: Guito Moraes/Agência O Globo

22 agosto 2014

A Cruz de Malta. O Vasco da Gama


Então os negros e os pobres bateram na porta querendo conhecer o tal futebol.

"Sejam bem-vindos" - ele disse.

Por gratidão, amor ou apenas vontade de residir em um lugar melhor, o suor desse povo humilde se transformou em cimento e deu origem a um caldeirão, cuja chama nunca se apagou, nem em tempos de tristeza e vacas magras.

Com o tempo, o futebol de aplausos, pessoas ricas e roupas elegantes foi dando lugar ao grito, ao povo e à simplicidade. E esse espaço, o Vasco conquistou na marra.

Se a revolução social causada pelo clube não era suficiente para que o mesmo fosse respeitado como um grande, ele, que nunca havia disputado um campeonato sequer, vence o primeiro que participa e já surge como um gigante.

Na marra, fez a elite abaixar a cabeça e resmungar, azedamente contrariada: "Seja bem-vindo".

Por justiça do destino, Pelé nasceu negro, tendo assim que agradecer ao Cruzmaltino por ter chegado onde nenhum outro chegou.. Por honra, a história escolheu o Vasco para participar da noite de seu milésimo gol.

Poderíamos ter tardes de domingo com duelos entre Pelé x Eusébio. Não tivemos. Por pouco, Eusébio não veio.

Azar o dele.

O tempo foi passando e o lugar do Vasco na história do futebol brasileiro, que já estava marcado, foi cada vez mais ampliado. Mas, mesmo tendo sido o primeiro a conquistar a América, ainda faltava o reconhecimento.

Ele veio. Mas antes, ela foi bem-vinda logo no centenário.

Em 2000, eu tinha apenas 5 anos e era normal sentir muito sono lá pras 11 da noite. Depois do Palmeiras abrir 3x0, fui dormir. E esse é um dos maiores arrependimentos da minha infância.

Perdi a chance de assistir ao vivo um dos mais lindos capítulos da história do futebol mundial. Quando acordei, no dia seguinte, e meu avô me disse que o Vasco havia virado a partida, não acreditei.

Aliás, acho que ainda não acredito.

Hoje, ele chega a mais um aniversário. Mal-administrado, mal-treinado, em maus lençóis, num lugar totalmente alheio ao tamanho dessa instituição.

Mera fase.

Tudo, no futebol, é ciclo. Em breve ele estará de volta e ouvirá o verdadeiro "Bem vindo" de onde nunca deveria ter saído.

Tu tens o nome do heroico português. Mas do povo brasileiro para com o futebol, o herói foi você.

Vasco da Gama, sua honra assim se fez.

Dos negros e dos brancos. Dos altos e dos baixos.

Do Baixinho.

Do brasileiro e do português.

Do Pernambucano. De Juninho.

O sentimento não para. O caldeirão ferve.

Eles vão pular, balançar. São Vasco da Gama, campeão de terra e mar.

Campeão de berço.

E quem já nasce vencendo, será gigante pra sempre.

Gigante do povo. Gigante do Brasil. Gigante do futebol.

Gigante da Colina.

@_LeoLealC

21 agosto 2014

"Eu já sabia"


Era previsível o Maracanã cheio, depois de duas vitórias seguidas e com ingresso barato. Pensando racionalmente, também era o esperado o time do Fla se afobar no início e o Galo, que mesmo desfalcado ainda é uma equipe melhor, diminuir o ímpeto rubro-negro.

Previsível estava o time do Flamengo, que achava que todos os lançamentos de Canteros iam se curvar em direção ao gol e que por isso os atacantes não precisavam se movimentar pra receber.

Previsível era pensar, naquele morno fim de primeiro tempo, que a Torcida do Flamengo teria que ganhar o jogo, de novo.

Nos últimos 10 anos, houve 3 times do Rubro-Negro que cativaram a torcida: 2007, 2009 e 2013.

Em 2014, há uma diferença. Dentro de campo, 11 seres de uma mesma camisa, mas dependentes de vozes altas, insistentes e apaixonadas. Vozes essas que são o time. No mínimo, o craque dele.

Previsível parecia a virada quando, com 1x0 contra no placar, as tais vozes ecoaram. E foi de uma forma tão alta, que suas vibrações causaram um terremoto que só quem vestia preto e branco sentiu.

Previsível parecia o herói, quando todos já pediam no intervalo: "Põe o Eduardo! Cadê ele? Não deixa o cara no banco, Luxa!".

Imprevisível, há um mês, seria sair dos pés do reserva do André Santos cruzamentos decisivos para 3 de 4 vitórias.

Aí Eduardo cabeceou e Victor fez uma fantástica defesa. Previsível, pelo seu talento e sua capacidade.

Mas no rebote, 40 mil fizeram o gol da vitória.

Os mesmos que, em vez de carregarem a lanterna, ligaram-na em máxima potência para iluminar o túnel escuro, encontrar o caminho da saída e ver a luz.

Agora, a natural.

E nessa noite, onde o uso da primeira pessoa ao se referir ao Flamengo deixou de ser metáfora, eles podem bater no peito e dizer, mais uma vez:

"Nós ganhamos!".

@_LeoLealC

Foto: Gilvan de Souza

16 agosto 2014

A vergonha condecorada


Não consigo imaginar os jogadores do São Paulo se reunindo no vestiário para combinar de deixar o adversário ganhar e sair da única competição que o clube ainda não conquistou. Muito menos o Flu entregar a classificação depois de abrir 3 de diferença fora de casa, sendo que a vaga na Sulamericana ainda nem estava garantida.

O Inter foi quem eu vi fazer menos questão de ganhar, o que é estrondosamente diferente de jogar pra perder. Apenas priorizou o Brasileirão e abdicou de se esforçar para conseguir uma classificação que seria muito difícil.

Mas não é a questão de entregar ou não que me incomoda tanto. Como já disse, ainda acho balela tudo isso e prefiro resistir a acreditar. O que não consigo entender é a existência de um regulamento que dê brecha para insinuarmos tais coisas.

Apesar da atual Sulamericana está num patamar de Copa Conmebol com Bolsa Família, cujo único benefício de valor é uma vaga na Pré-Libertadores, ela ainda assim é a segunda competição mais importante do continente. Mas, para nossos gênios de gravata, a punição por eliminações para três times de Série B é estar nela.

E isso foi dito como a solução de nosso calendário, lembra?

Imagine então um desses três levantando a Taça da Copa Sulamericana. Pense nas futuras histórias:

"Bom... tudo começou quando o Ceará me fez um gol no Beira-Rio no último lance.".

"O herói da nossa conquista foi aquele zagueirão do Bragantino! Sem aquele gol, não estaríamos lá!"

"Nós sabíamos que o América poderia virar! Nos esforçamos e conseguimos sofrer 4 gols em um tempo para iniciar nossa caminhada gloriosa."

Será que realmente solucionamos alguma coisa dando prêmio a eliminações vexaminosas?

Sobraram 16 para nosso torneio de mata-mata que mais mexe com o povo. Flu, Inter e São Paulo, três dos favoritos, não estão entre eles. Incompetência, creio - e torço.

Eles entregaram. Eles, os que regem e assinam. Entregaram nosso futebol nas mãos de alguém e o largaram.

E não foi nas de Deus.

Segunda-feira é o sorteio, com América-RN, Bragantino, Santa Rita e outros 13 que também foram premiados, mas pela vitória.

Agora, quem perder está fora, e sem nenhuma coroação por isso.

Agora, o termo mata-mata faz sentido.

Não há mais reencarnação em outro mundo. Nem em outro campeonato.

Que comece a Copa do Brasil.

Enfim, a de verdade.

@_LeoLealC

06 agosto 2014

Caiu a ficha


Pontos corridos às vezes escondem a gravidade de uma campanha desastrosa por um tempo. E nessa, o Flamengo foi levando seu péssimo retrospecto na base do "depois melhora".

Mas a mesma fórmula que maquia problemas no início, vira uma armadilha caso não se limpe a maquiagem.

Se as horrendas atuações pré-Copa se ajeitariam com mais um mês de treinos, as duas sapatadas no reinício do campeonato ligaram de vez o alerta.

Ou apenas ligariam, na teoria.

Até que a culpa caiu no técnico. Também acho o Ney ruim, mas ele não entra em campo.

E se a troca no comando e a vitória num clássico onde a equipe implorou para sofrer o empate no segundo tempo iniciariam a arrancada, perder para a Chapecoense trouxe o Rubro-Negro, enfim, à realidade.

O problema não é perder para esse time que há 5 anos não sabíamos da existência, e sim achar a derrota normal. A Chapecoense não pode ser favorita contra o Fla em Chapecó. Nem no Rio, nem em Manhattan, nem em lugar algum!

O Flamengo deixou pra depois.

Mas esse depois já é agora.

A ficha caiu, a realidade está à mostra.

Se houve incompetência o suficiente para se apequenar diante da Chapecoense, é preciso que haja também a humildade de reconhecer que neste ano a campanha será de time pequeno.

Esquecer o milagre de 2005, lembrar que havia time em 2007 e 2009, e que por isso houve a arrancada, e saber que a probabilidade de cair do céu alguma salvação é improvável.

E se a equipe não tiver consciência de que está jogando para fugir do rebaixamento, terá que jogar para subir ano que vem.

O 2014 do Mengão é para não cair.

O resto, aí sim, deixa pra depois.

@_LeoLealC

27 julho 2014

Sobrando, ontem e hoje. Cheio de vaidade


Muitos procuram o sentido do trecho no hino que diz "eu vivo cheio de vaidade". A princípio, realmente parece difícil encontrá-lo.

Conheça um cruzeirense e isto se tornará mais fácil. Conheça o Cruzeiro e entenderá de vez.

Cruzeiro, você é irritante.

Por que nunca se divertes complicando um jogo fácil e tendo uma vitória sofrida? Por que, sempre que se encontra superior, fazes questão de expor este predomínio a quem quiser ver?

Você, líder disparado, recebia hoje o fraco Figueirense, em casa. E por mais que ninguém apostasse no Figueira, todos sempre têm uma esperança numa zebra que possa animar o campeonato.

Você, mais uma vez, riu de nós. Mais uma vez, fez o esperado. Você sempre faz o esperado, e isso irrita!

Se os primeiros 45 minutos desenhavam uma vitória injusta pelo pênalti polêmico, você, vaidoso, voltou do vestiário jogando muita bola, fez mais 4, esbanjou sua superioridade e tornou crime a ação de usar o pênalti para contestar sua vitória.

Se fosse 1 x 0 com um gol aos 48, seu torcedor reclamaria. E a culpa é sua, Cruzeiro! Você o acostumou assim.

Por isso, se vê obrigado a não sair dessa mesmice de sempre atropelar.

Olhar pra baixo para ver os outros não convence. Tem que precisar de um binóculo.

Você, Raposa, sobrou tanto ano passado que já acumulou pontos para começar esse na liderança.

Enquanto os outros 19 disputam o campeonato, você o ganha. E ri deles.

É cedo? Dane-se! Eu estou bancando que o Cruzeiro já é o campeão. Podem me cobrar!

Só não precisa dar a volta na tabela e passar meu Flamengo, beleza?

O cruzeirense acordou e olhou triste para o céu, pois não via sua camisa. O tempo nublado não deixava.

Então o anoitecer o fez olhar para o Mineirão e assim se satisfazer.

Pois ele viu sua camisa, seu Cruzeiro, a vaidade e o esperado.

E dessa deliciosa rotina, ele não enjoa.

@_LeoLealC

Foto: Gualter Naves/Light Press

24 julho 2014

A crista da lembrança


Eles poderiam decidir tudo na Argentina e vir pro Mineirão apenas pra levantarem a taça. Foram muito melhores lá, estava tudo na mão.

Não aproveitaram, ou não quiseram, sei lá. Então mantiveram a vantagem mínima e voltaram pra Minas "apenas" favoritos.

E quando a festa do gol no início, sendo o centésimo de um ídolo, parecia encaminhar tudo para um fim tranquilo e ameno, eles conseguiram novamente complicar.

É impressionante como gostam de tudo sofrido. Dessa vez, até resolveram dar ao rival o sabor daquilo que tanto degustaram vezes outras.

Bola no abafa, lance chorado, gol! No último lance!

Não, dessa vez não foi o Galo.

Calma, argentino! Ainda tem jogo.

Tem mais 30 minutos. Tem mais dois gols. Tem mais um título internacional de quem "não ganha nada".

Tem mais uma final que você perde pra eles. Tem, agora, sua alcunha de freguês.

O que não tem mais é a imperfeição do intervalo de 364 dias depois de ouvir o apito inicial do jogo mais importante da história deles.

Ela seria desagradável, inconveniente e menos um detalhe tão rico neste capítulo.

Precisava bater meia-noite no relógio.

Bateu? Já é "amanhã"? Agora sim. Hora de brincar.

E se o Ayala pediu pra participar da festa, que seja bem-vindo! Só não repara a bagunça.

Hoje veio a Recopa, que não existia na sala de troféus. Há um ano, vinha a Libertadores, também inédita.

Em agosto tem o que mesmo?

Ah, a Copa do Brasil, que por sinal, eles também não têm.

Sei lá, só pra avisar.

Há exato um ano, eles viviam uma guerra.

Hoje, se divertiram. Com tudo que precisavam para lembrar do que sentia aquele Mineirão 12 meses atrás.

A guerra, eles venceram. A festa, eles curtiram.

E pra quem anda tão mal-acostumado ultimamente, esperar mais de 365 dias pra levantar uma taça está fora de cogitação.

Salve o Clube Atlético Mineiro.

Salve o campeão.

Feliz 24 de julho.

@_LeoLealC

18 julho 2014

Há diferença

Sim, o Flu era favorito. Se portou como um, aliás. Um meio-campo diferente, muito ofensivo, um time para ir pra cima de uma equipe inferior e buscar a liderança.

Óbvio que, quando nem um possível empate seria considerado bom resultado, a derrota dói. Perder para o Criciúma, mesmo fora de casa, nunca será considerado normal para quem quer disputar o título.

Mas existem casos e casos. Com o cenário que se desenhava, o Fluminense sairia dali baleado, mas 3 minutos transformaram uma sapatada em um comum acidente de percurso.

O 3x0 seria uma tragédia e poderia abalar o time. O 3x2 converteu o desastre em apenas uma derrota que surgiu de um pênalti mal marcado.

Então o Tricolor vai pro jogo de domingo sabendo que, quarta, fez o possível, foi prejudicado e simplesmente não era o dia das coisas darem certo.

O que é muito melhor do que ir sabendo que foi atropelado.

Perder pro Criciúma não é normal, mas acontece. Ainda mais sem ritmo, depois de um mês de paralisação.

Já ser goleado pelo Tigre é inaceitável. E disso, o Flu se livrou.

Não muda nada além de 2 gols a mais de saldo.

Mas diminui, em muito, o prejuízo mental que se encaminhava às Laranjeiras.

@_LeoLealC

Foto: Nelson Perez

17 julho 2014

A Copa e seus efeitos


Tivemos um mês para acompanhar e aprender a nova lição do futebol. Vimos de perto e sentimos na pele que o conjunto, a compactação e o jogo simples, hoje, predominam. Ao mesmo tempo, os clubes tiveram mais de 30 dias de treinos para não reclamarem de pouca pré-temporada e poderem consertar os problemas de suas equipes.

Não tenho o mapa de calor do jogo, mas creio que, na parte do Flamengo, o desenho do campo entre as duas intermediárias está pintado de verde. Como em todo primeiro semestre, não há meio-campo, ninguém pra pensar com a bola e continuam os bicos da zaga pro ataque.

O Fla mudou quase tudo no papel. No campo, não se viu nada além de um posicionamento defensivo diferente. E pelos primeiros 90 minutos após a promessa de melhoras, foi difícil enxergar algum acerto.

Restava apelar pro chutão e "vamos ver no que dá".

Não deu.

O gol saiu de um escanteio que se originou de um lance de sorte, num erro adversário. A maior esperança lúcida da equipe se dava quando o lateral saía de sua posição pra pensar o jogo no meio.

Com a bola, um time lento e previsível. Sem ela, uma marcação fraca e um pote de espaços pro ataque adversário.

O Atlético é apenas um bom time, nada excepcional. Mas é muito bem treinado, compacto e faz o simples.

Fora de casa, soube perfeitamente jogar em cima do erro do Fla.

E contra o Flamengo de hoje, jogar no erro do adversário é, simplesmente, jogar.

Sem ser ameaçado e estando mais perto de ampliar o placar do que sofrer o empate, o Furacão controlou o rubro-negro carioca com uma facilidade que assusta.

Não por uma má atuação do Flamengo depois de um mês de paralisação, mas pelo torcedor que olha o time em campo e não vê ali uma expectativa de mudança em médio prazo.

Porque um time que melhora com as entradas de Luiz Antônio e Nixon se mostra preocupante.

Percebi no Atlético-PR uma equipe que, além de treinar, estudou futebol nesse último mês. Taticamente, vi pelo menos um Estados Unidos no time de Doriva.

No Fla, vi a Seleção Brasileira.

A de semana passada.

A Copa do Mundo nos ensinou, e o Atlético quer aprender.

O Flamengo não concordou, respondeu arrogantemente à professora e ganhou uma bronca.

Se continuar, será expulso de sala.

@_LeoLealC

Foto: Site oficial do Atlético-PR/Gustavo Oliveira