13 dezembro 2013

Quase

Estava na mão. Seria praticamente um crime dizer que o Botafogo ficaria fora da Liberta em setembro, por exemplo. Até cogitar o título brasileiro não era nenhum absurdo.

Mas aí o time que poderia ser líder do Brasileirão me perde pra Bahia, Ponte Preta e empata com a Portuguesa, tudo no Maracanã.

Ele comemorou. Ele, o pessimista, que não vai ao estádio e torce pra que tudo dê errado apenas pra dizer: "Eu falei, com esse time não dá! Quer que eu pague ingresso pra ver isso?"

O botafoguense tem calafrios com a palavra "quase". Este botafoguense, citado acima, tem prazer ao ouvi-la.

E na última rodada, estava tudo certo para que o quase se repetisse. Mas aí 30 mil resolveram não seguir mais os conselhos deste azedo alvinegro e foram fazer a festa no Maracanã, mesmo não dependendo só de si e torcendo para um resultado improvável, "quase" impossível.

Mas ele aconteceu.

O pessimista que não quis ir porque não queria pagar pra "ver este time", se arrependeu e lamentou não estar lá, pois viu que um Maraca lotado faz sim a diferença.

O Glorioso estava quase lá.

Só sendo o Botafogo para ter que secar uma equipe já rebaixada e torcer assiduamente para um argentino para que as coisas deem certo.

E no dia 11/12/13, o argentino faturou e o Alvinegro chegou lá.

De tanto medo do "quase", o Botafogo quase ficou no quase.

Depois de ficar ausente, abandonar seu time durante a campanha e criar no craque do time um vilão que não existiu, o botafoguense viu seu time conseguir algo que há 18 anos não conseguia.

E para você, que não foi a nenhum jogo e torceu para que o final fosse infeliz apenas para encher a boca e expressar uma falsa razão que justificasse seu abandono, tenho uma péssima notícia:

O Botafogo está na Libertadores-2014.

@_LeoLealC

10 dezembro 2013

Consequências



Antes de mais nada, adianto aqui que falarei de futebol. Nada de julgamento ou papelada, apenas futebol. Preparei tudo que vocês lerão abaixo antes de saber de qualquer problema com jogador da Lusa.

E sinceramente, o STJD que se dane.

Pois bem, vamos lá...

Abel tinha um elenco sensacional pra comandar. Mesmo com um padrão de jogo não muito bonito de se ver, os talentos individuais poderiam chamar pra si e resolver a qualquer momento.

Eles resolveram. Fluminense campeão brasileiro de 2012.

Abelão incontestável, continuou. Nada contra ele, mas Fred, Welligton Nem, Thiago Neves, Deco e Jean, com excessão do Thiago todos em fases primorosas, fariam até de Adilson Batista um bom técnico.

Até que o que dava liga passou a não funcionar. Para piorar, Nem e Thiago Neves foram embora.

A bola parou de entrar e a culpa passou a ser de Abel. Então ele foi demitido e todos defenderam que era a melhor coisa a se fazer.

Desolado, Sóbis olha para o bando de reservas: Fluminense rebaixado Foto: Marcelo Carnaval / Agência O GloboChegou Luxa pra arrumar o barraco. Arrumou, por pouco tempo, mesmo com a lesão de Fred e a aposentadoria de Deco. Mas sem eles, somando também às perdas de Bruno e Carlinhos, uma hora a casa ia cair.

Caiu. E o cara que deu ao agora fraco time do Flu o único advento de bom futebol na temporada foi o culpado da vez.

Aí chegou a hora dos mesmos que pediam a saída do Abel no início, de repente concordarem que demitir o técnico campeão foi o maior erro do Flu.

Tão fácil mudar a opinião quando é evidente que tudo está errado, né?

Abel foi prejudicado, sim, com perda de peças e um time relaxado que depois da eliminação na Libertadores não tinha vontade de buscar mais nada. Ponto.

Mas e se Fred não se contundisse, Deco não fosse pego no dopping e pelo menos um dos laterais também não se lesionasse? Luxemburgo, talvez, daria certo e sua contratação, então, seria elogiada como a "coisa certa".

Na base do achismo, não houve solução.

O incêndio nunca é culpa do bombeiro. Ele está lá para, da forma que puder, tentar apagá-lo.

Dorival não podia. Com copinhos d'água, sem extintores, impossível. 

O problema não foi Dorival, Luxa, Abel, nem sua demissão. Talvez tenha sido o planejamento, mas quando nada dá certo, isto se torna óbvio, sem contar o clichê em mencioná-lo toda vez que um grande é rebaixado. Existem coisas mais complexas por trás de tudo.

O Fluminense ganhou praticamente tudo entre 2010 e 2012. Faltava a Libertadores. E numa pane em 45 minutos no Paraguai, ela foi por água abaixo. Ali, o ano havia acabado.

Restava o Brasileirão, que o campeão de duas das três edições anteriores não entraria talvez com a motivação necessária. Eles relaxaram, pois sabiam que neste ano bastava não passar vergonha.

Aí sim, chegamos ao maior erro.

Eles tiveram a certeza que cair era impossível. Em 12º, falavam em G4. Acharam que quando se aproximassem do perigo, sairiam quando "fizessem força".

Mas o risco chegou, quando não havia mais força. E quando se deram conta, precisavam de um milagre, que desta vez, não tiveram.

Faltou consciência. Se o Flu a tivesse, ninguém falaria em Luxa, Abel ou planejamento.

O pecado foi um erro bobo, que acharam que não daria em nada, mas que no final saiu muito caro.

Acontece.

Desta vez, aconteceu com o Flu, que se buscar a tal consciência, cumpre tranquilamente sua obrigação e volta pra Série A com o pé nas costas.

Até 2015, Fluzão. Volte logo.

Ah, e sem tapetão!

@_LeoLealC

09 dezembro 2013

Ela não entrou


Vasco e Corinthians empatavam em 0 x 0. Aí Alessandro tentou lançar uma bola e foi interceptado por Diego Souza, que então tinha 50 metros para correr até o gol e deixar o Cruzmaltino a 4 jogos do topo do América.

Restariam 4 times, e dentre eles, o Vasco era quem tinha mais cara de campeão. Era pra esclarecer que 2011 não havia sido acaso e que o time que 3 anos atrás estava na Série B se reergueu de verdade.

Otávio, vascaíno ferrenho, nervoso como estava, não aguentou o tranco e desmaiou ao se deparar com a chance aos pés de seu time, ficando inconsciente por bastante tempo.

Seu corpo desligava, mas sua mente ainda procurava o Pacaembu, sem querer se desconectar de forma alguma da partida. Assim, o rapaz teve um sonho lindo.

Otávio sonhou que Diego Souza carregava a bola até a área, driblava Cássio e deixava o Vasco a um passo da vaga.

O Corinthians, precisando então de 2 gols, pressionava, encurralava, mas não conseguia reverter. O Gigante da Colina, então, chegava às semifinais para enfrentar o Santos.

E depois de um 2 x 0 convincente em São Januário, o Cruzmaltino segurava o 1 x 1 na Vila Belmiro, chegava à final e ficava a 2 jogos da conquista.

Vinha então o Boca Juniors. Com um gol de Riquelme, aos 46 do segundo tempo, os argentinos venciam o primeiro jogo por 1 x 0, na Bombonera. A decisão ficaria para São Januário.

Depois de um jogo amarrado, o Boca tinha um pênalti aos 38 da 2ª etapa para sacramentar a conquista e levar o caneco. Mas Fernando Prass, aquele que não pega pênalti, defendia o chute de Riquelme e alimentava o pouco de esperança que ainda restava.

45 minutos, falta. Juninho, no sacrifício, vindo de uma torção no tornozelo, havia entrado no segundo tempo no lugar de Felipe, que como de praxe, havia reclamado com Cristóvão e ido direto para o vestiário.

Juninho então pegava a bola, mandava no ângulo, explodia São Januário e levava para os pênaltis.

Chegava a hora do goleiro "que não pega pênaltis" decidir. E ele defendia mais dois, dando o título pro Vasco da Gama. São Januário, em chamas benignas, gritava sem querer saber de documento algum da Conmebol: "Tricampeão!".

A América estava aos pés da Colina. O Vasco era o dono do futebol sul-americano. Chorando, milhares de apaixonados pensavam estar "vivendo um sonho".

Otávio estava no Caldeirão. No auge da felicidade, resolvia descer para pisar naquele gramado e depois andar por lá de joelhos.

Mas na hora de subir o alambrado, tropeçou e caiu. No susto, acordou.

Então ele viu o placar "COR 0 X 0 VAS" e se tocou que estava sonhando e que Diego Souza não havia feito o gol.

- Mas como assim? Ele estava ali, na frente do gol. 

Para a tristeza de Otávio, o gol não havia saído. E num escanteio aos 42 do segundo tempo, Paulinho faz de cabeça e o menino começa a viver um pesadelo real.

2012 foi passando e o Vasco entrando numa crise que teria seu estopim agora. Em todo momento em que ela se agravava, Otávio pensava: "E se aquela bola entrasse?".

O Vasco foi despencando, vendendo suas melhores peças e dando cada vez menos esperanças de chegar a algo grandioso agora, em 2013. Mas "e se aquela bola entrasse"?

Chegou o dia 08 de dezembro. Otávio e milhões de vascaínos acordaram sabendo que era o dia de evitar a segunda decepção máxima em 5 anos. Coisa que talvez nem seria pensada, "se aquela bola entrasse".

A bola rolou e com 4 minutos veio o primeiro golpe. Otávio, buscando se conformar com o inevitável, lembrou do momento de seu desmaio e novamente lamentou: "E se aquela bola entrasse?".

Numa humilhação à instituição Vasco da Gama, tanto dentro quanto fora de campo, não se pôde evitar o vexame.

Otávio, que havia desmaiado nas nuvens, acordou e viu seu time, aos poucos, chegar novamente ao inferno.

Até 2008, "time grande não cai". A partir dali, "voltamos pra ficar".

Não ficaram.

O Vasco, de novo, está na Série B.

"E se aquela bola entrasse?"

Se.

Ela não entrou.

@_LeoLealC

02 dezembro 2013

Hoje não! Hoje sim...

(Foto: Daniel Ramalho/ Terra)
A missão era menos complicada que as últimas. Era o lanterna, com a pior campanha da história dos pontos corridos, problemas de salários, ameaças de greve. A vitória só não viria se houvesse muita força pra isso.

O Maraca pulsava. Pelo Vasco, é claro. Mas ninguém mirava suas atenções para aquele gramado, lá eles sabiam que pelo menos hoje o Cruzmaltino não desperdiçaria os pontos.

Os olhos procuravam informações no placar eletrônico, os ouvidos não desgrudavam dos radinhos. Eles estavam ali pela salvação do Vasco, e por isso o pensamento viajava até Curitiba, Criciúma, Campinas e BH.

Ali, diante deles, como esperado, o Gigante fazia sua parte, mas com placar mínimo, o suficiente para que fosse criado um nervosismo extra, mesmo que o Timbu não ameaçasse.

Longe deles, notícias ruins, péssimas. Tudo dando errado. Tensão.

No fim, o gol do alívio. Quanto a ali, pelo menos, não deveriam mais se preocupar.

"Não é possível! Há de sair gols de Cruzeiro, Botafogo, São Paulo ou Ponte!".

Não, não saiu.

Termina o jogo, eles celebram o alívio artificial e soltam o grito para disfarçar a preocupação e a decepção, pois as notícias pioravam. O bipolar Maracanã se dividia entre a comemoração da vitória e a tristeza da lembrança de que essa era a melhor chance de sair da degola.

Eles tinham tudo para irem pra casa felizes.

Tinham.

Então foram eles, insatisfeitos, com a sensação de que falta algo.

Sensação não, certeza.

Falta.

O Vasco, que precisa de um milagre, tinha o lanterna em casa e agora tem o terceiro colocado, fora. Convenhamos, não seria neste domingo que haveria ajuda divina.

Pois é, eles queriam hoje.

E ninguém faz milagre contra o Náutico em casa.

Contra o Furacão, lá, talvez.

Na camisa, no coração. Ainda há vida, Vascão.

@_LeoLealC

29 novembro 2013

É deles, é nosso, é tri


Dia 21 de agosto de 2013. O Flamengo enfrentava o Cruzeiro em Minas e era massacrado. A Raposa vencia por 1 x 0 e perdia a oportunidade, depois de tantas chances desperdiçadas, de ampliar, golear e garantir a classificação ali. Até que Éverton Ribeiro faz o gol mais lindo do ano (dane-se a FIFA!), abre 2 x 0, inflama o Mineirão e começa, enfim, a enterrar a chance do Rubro-Negro salvar o ano.

Até que Dedé falha, Moreno manda na trave e Carlos Eduardo, sim, ele, manda pra rede. Ali o Fla diminuía o prejuízo e via, de longe, uma luz.

Mesmo precisando só de um gol, o time e a torcida já buscavam se conformar com a provável eliminação para o líder do Brasileiro na semana seguinte. Seria algo normal, nenhum vexame, porém 2013, até então, chegava ao fim.

Era o fim da única perspectiva de que a temporada não fosse a prevista no ínicio do ano. Eles não queriam só não cair.

Mas num Maracanã lotado, quando eles, os da arquibancada chamam a responsa e carregam nas costas, o cenário muda. E no fim de uma noite apoteótica, Elias, que estava machucado e foi jogar no sacrifício, deu a classificação e fez milhões de corações acreditarem que sim, era possível.

Era o começo, talvez, da reviravolta. A expectativa, mesmo que ainda pequena, agora existia.

E basta um pingo de esperança para que o ar respirado pelo Rubro-Negro seja diferente.

Aí no meio do caminho, o cara que trouxeram pra arrumar a casa abandona o barco e deixa a galera sem rumo. Ele não sabia, mas era parte do roteiro. O rumo estava sendo traçado ali.

Eis que assume o comando um sujeito pacato, simples, que mais do que qualquer um ali, sabe o que é ser Flamengo.

Então surge a combinação Flamengo, Torcida, Maracanã, interino e desconfiança. Ops, tem algo errado aí.

Ou certo.

A história continuou sendo escrita, mas naquela circunstância o final já estava anunciado. Pois a partir dali, estava ordenado pelos Deuses do Futebol de que esse caneco não poderia ficar fora da Gávea.

E eles, mais uma vez, fizeram questão de caprichar.

Chega a final. No primeiro jogo, o volante que o antigo treinador descartou de seus planos acerta um chute canino e dá bela vantagem ao Fla.

Chega o segundo jogo. Gol do Elias, de novo. Ele mesmo, abraçado pela Nação, recém-aliviado com o fim do risco que viveu seu filho. Herói.

Num supramundano capricho, o Flamengo era campeão em cima daqueles que fizeram o antigo comandante pular fora.

E numa excentricidade monumental, o último tento, último lance, último toque, a última página deste conto irretocável havia de ser escrita pelo rapaz que mais deu ápices de alegria àqueles alucinados apaixonados, num passo gigantesco à subida do folclore para a idolatria.

Hernane, bateu, brocou, acabou.


Enfim, chegava o momento que estava escrito, assinado e autenticado. Não tinha jeito, era deles.

Deles... del.. de... N... Nos... Nosso!

Desculpem-me, escapou. É mais forte que eu.

O time começou pensando em não cair no Brasileiro e talvez conseguir algo na Copa do Brasil.

Não caiu.

Para conseguir "algo", era preciso que deixassem chegar.

Porque "se deixar chegar"...

Pois é, deixaram. E eles chegaram.

Vencer, vencer, vencer.

Uma vez Flamengo, três vezes Flamengo, Flamengo até morrer.

@_LeoLealC

26 novembro 2013

Por amor, pelo milagre, pelo Vasco



O dicionário diz: Fidelidade em honrar seus compromissos, lealdade, garantia. Excesso de confiança em algo ou alguém. Crença nos dogmas de uma religião.

Quem tem, a usa como válvula de escape para a consciência. Quem não a carrega, tende a cair na desilusão e no desânimo que a racionalidade sugerir.

Fé. Diz o ditado que remove montanhas.

O pobre racional não vai acreditar nunca que um time com Cris, Abuda, Edmílson, Alessandro e Jhon Cley vá conseguir um milagre em três rodadas e sair dessa.

Se existisse algum vascaíno no qual a razão falasse mais alto que o sentimento, este já teria jogado a toalha.

Sorte do Vasco que sua torcida não pensa assim. Sorte dele que ela o tem como religião.

Sorte dele que ela tem fé.

O futebol permite, o Vasco permite.

E pelo Vasco, pela fé, 38 mil fieis saíram de casa num sábado chuvoso para cantarem e orarem por milhões. Eles não iam se importar com alguns pingos de chuva sabendo que podem fazer sua parte e evitar as gotas de lágrima no final.

A crença deste povo na religião cruzmaltina comove. Quando enchem a boca pra gritar "PORQUE EU TE AMO!", não é só o grito de torcida mais lindo do Brasil, é um mantra, onde o coração também fala.

Ali, diante daquele Maracanã que mais parecia uma igreja do futebol, não havia como este time, mesmo sofrível no papel, dar uma resposta negativa. Aqueles 38 mil podem e conseguem fazer 22 pernas se moverem sozinhas, é automático, contagiante.

Para o já campeão Cruzeiro, não havia nenhuma motivação que lhe fizesse ter tanta vontade de ser o mala da festa. E pra ser sincero, mesmo se tivesse, naquele Maracanã, sábado, eu tenho minhas dúvidas.

E então, depois de um sufoco inevitável no fim, o jogo acabou, a equipe cumpriu a missão e eles, os 38 mil, vibraram, se abraçaram como se tivessem ganho um título e respiraram aliviados, pelo menos no fim de semana.

Ainda está difícil, bastante. Mas a cada jogo, a cada Maraca lotado, eles mostram que podem, quase sempre sozinhos, tirar o Vasco do inferno.

Continue, vascaíno. Não pare, não pare não.

Seu amor mais antigo, seu primeiro amigo precisa e hoje depende de você, que leva a Cruz de Malta no peito desde que nasceu.

O time, no campo, talvez mereça cair.

A instituição, a religião Vasco da Gama não.

Então, futebol, não cometa mais uma de suas injustiças. Pode ser?

Não pelo time, por Dinamite, nem até pela camisa. Grandes caem em temporadas ruins, acontece.

Mas por eles. Estes sim, não merecem.

@_LeoLealC

21 novembro 2013

O gol do equilíbrio

Marcelo acertou um petardo e começou a definir o campeão da Copa do Brasil naquele instante, já no primeiro jogo.

Terminando daquela forma, o segundo confronto seria apenas a festa pra confirmar o anunciado campeão, que não, não seria o Furacão.

Afinal, com desvantagem, desacreditado, no Maraca lotado, contra um time melhor, quem tiraria a taça do Fla?

Desafiar o quase impossível, e levar a melhor sobre ele, já é tão comum na Gávea que se tornou mais óbvio do que surpresa.

Até que Amaral arranja uma bomba tão forte, porém menos provável, para dar a vantagem ao Flamengo e logo, tirá-lo da condição de favorito, trazendo o Atlético de volta pra briga.

A vantagem que conseguiu o Fla é boa, porém mínima, e vai embora com qualquer gol marcado no Maraca. No entanto, é o suficiente para que a equipe não entre em campo tendo que buscar o improvável, o que o tornaria favorito.

O Rubro-Negro não tem uma relação tão boa com a vantagem quanto tem com a desconfiança.

O empate com gol fora não lhe sugere o oba-oba, o que é ruim para o Atlético-PR, mas também não o faz buscar um milagre quarta que vem, o que é bom para o Furacão.

E por isso, só por isso, o rubro-negro do Paraná tem tantas chances de levar a taça quanto o Fla.

O golaço de Amaral veio para "salvar" o Flamengo e nivelar tudo pra semana que vem.

Agora, tudo igual.

Diretamente na Vila Capanema, inversamente no Maracanã.

@_LeoLealC

14 novembro 2013

Injustos!



Pontos corridos foram feitos para premiar a regularidade, o planejamento e o trabalho. Enfim, pra fazer justiça.

Mas onde está ela quando um time joga sozinho e não deixa os outros sonharem desde a 25ª rodada?

O Brasileirão 2013 foi chato, e a culpa é sua, Cruzeiro.

Sim, sua! Nos gramados de Minas Gerais, era certeza de vitória. Fora dali, "apenas" favorito. Não havia brecha pra alguém arriscar "hoje vai dar zebra", muito menos ousar dizer que alguém lhe tiraria essa Taça.

Tu não podias levar uma virada do Criciúma em casa, empatar com um Náutico da vida e ficar uns 5 jogos sem vencer pra dar uma pequena emoção?

Não, eles não fazem questão da história de superação, da vitória na base da camisa e do gol no último minuto do reserva caneludo. Eles vivem cheio de vaidade. Tem que ter o voleio, a letra, o passe de calcanhar, o de três dedos, o chute no ângulo.

Eles preferem tratar bem a bola, sem maltratar os corações nos quais reside. E o do cruzeirense já estava tranquilo há 2 meses.

De lá pra cá, ele viu lá de cima os mortais brigarem feitos loucos pelo G4 e contra a degola, porque o caneco já era dele.

Enquanto isso, os outros olhavam pro alto, viam o céu, também azul, também estrelado, e tinham mais certeza a cada rodada de que estavam diante do inalcançável.

E quando a bola já estava cansada de nos avisar a cada jogo de que o verde e o amarelo ganhariam um toque celeste, a chata da matemática, enfim, garantiu.

Existe um grande clube na cidade. Existe um campeão no Brasil.

Que já sabíamos há 2 meses.

Chato, soberbo, injusto. Melhor. Pois na realidade é o verdadeiro campeão.

Vida longa ao Cruzeiro.

Tão combatido, jamais vencido.

@_LeoLealC

11 novembro 2013

Mas...

Só na base da torcida, da garra e na camisa que há chances do limitadíssimo time do Vasco conseguir seu objetivo. Inevitável e invariavelmente, no sufoco.

Por isso, ontem "conseguiu". Mas depois do alívio com o gol de empate e a euforia com o anúncio do gol do Corinthians, o vascaíno que parou pra analisar, lamentou o resultado, que sim, foi ruim.

O Vasco agora tem Grêmio e Corinthians, fora, enquanto o Fluminense pega Náutico e São Paulo, em casa. A probabilidade do Tricolor obter resultados melhores é grande. Assim, não há tanto o que festejar.

Sim, o time pode bater o Grêmio e o Flu pode vacilar contra o lanterna. Complicado, porém possível. Mas entre ganhar do Santos diante de 60 mil vascaínos e vencer o Grêmio no Sul, o Vasco perdeu a chance mais "fácil".

Agora são 5 jogos: uma moleza e 4 pedreiras, 3 delas fora de casa.

Acho difícil que consiga 10 dos 15 pontos restantes e chegue aos sonhados 47, mas dá pra escapar com menos do que isso. E danem-se os matemáticos!

Mesmo assim, diante de uma linda festa da Torcida, o Vasco perdeu uma maravilhosa oportunidade de respirar e ficar a duas posições da degola.

Por ontem, o placar resolveu o problema. Mas pelo o que vem pela frente, o aumentou ainda mais.

Tudo bem, vascaíno, solte o grito e celebre que enfim, o time saiu da zona, Afinal, ontem, vocês conseguiram.

Mas comemore isso, apenas isso, não o empate.

Porque o resultado, acredite, foi péssimo.

@_LeoLealC

04 novembro 2013

#50mil


O Vasco já deixou claro que sozinho não vai escapar. A qualidade da equipe ordena que, caso haja salvação, ela não virá apenas no campo.

Sábado, ele estava com sangue nos olhos, vontade, um pouco de sorte e o mais importante: acompanhado de quem precisa.

Foram 6500 na arquibancada. Pouco, se tratando de Vasco, mas satisfatório e suficiente, considerando um jogo longe da capital, num estádio pequeno.

Semana que vem é no Maracanã, provavelmente com ingresso a 10 reais. A única coisa que poderia impedir a casa cheia seria a sensação de "já era", que uma derrota pro Coxa ocasionaria.

Não, não há esse sentimento. Até mesmo se perdesse, talvez, ele ainda não chegaria. O que há é a esperança, ainda mais aflorada com a derrota do concorrente direto. Então a obrigação dos vascaínos é entupir o Maraca de gente e tirar o Vasco dessa furada.

E fique tranquilo, Vascão, eles dão conta do recado.

Faltam 6 batalhas, e para que o Gigante não saia morto desta guerra, seu exército precisa ser grande.

Então encha o Maraca, vascaíno. O Vasco precisa de você mais do que nunca.

Ele tem todas as condições de sair dessa, mas se estiver sozinho, a chance de salvação é consideravelmente menor.

Vá apoiar, não vaiar. Pois assim, você irá consequentemente aplaudir no final, acredite.

Esteja junto, leve-o nas costas, no peito, na alma, salve o Vasco.

Porque se você fizer sua parte, ele faz a dele.

Alô, Torcida do Vascão, 50 mil domingo é obrigação!

@_LeoLealC

24 outubro 2013

"... faz a diferença"


Ela passou a semana inteira ansiosa, nervosa, apreensiva, imaginando como seria. Sonhou, pensou em todos os desfechos positivos possíveis, vislumbrou um fim dramático, mas estava certa que dali sairia feliz, mesmo que ainda não soubesse.

Ela não conseguia dormir de terça pra quarta. Por mais que tivesse certeza da vitória, não sabia, ou havia esquecido, e sentia os calafrios que ser Flamengo na véspera de um jogo decisivo proporciona.

Um verdadeiro rubro-negro não se contenta em torcer pro Fla, apenas. Ele precisa ser, viver o Flamengo.

Ela não queria falar em outro assunto, tinha medo de "perder o foco". Tentava relaxar, se concentrava, como se fosse entrar em campo.

Para ela, o Flamengo não vive uma guerra dividida em batalhas, e sim uma a cada jogo. E fora do campo, mas bem perto dele, ela luta, porque tem uma missão a cumprir.

Ela sabia que eles, os outros, tinham um time melhor. Portanto, mesmo com um seco "dane-se" a cada vez que a superioridade adversária era mencionada, ela sabia que, nesta noite de quarta-feira, o sucesso de seu Flamengo dependia também, e principalmente, dela.

E por isso ela, a Nação, invadiu o Maracanã e tomou conta de 75% do estádio.

Ela não parava. Eles não conseguiam respirar, ela não deixava.

O jogo era em campo neutro. Ela o transformou em jogo em casa.

Às vezes, quando não está tão inspirada, ela "apenas" faz sua parte.

Quando quer, ela faz a diferença.

Dessa vez, ela fez.

E quando isso acontece, não há nada que o outro lado possa fazer para rabiscar o roteiro que ela escreve.

Os outros, que buscaram bravamente a sobrevivência, foram esmagados. O Maraca, de novo, foi dela.

Assim, nada mais justo e natural que o massacre na arquibancada fosse o espelho do que aconteceria em campo.

Aconteceu.

E então ela foi pra casa feliz, satisfeita, realizada, porque de novo seu esforço foi recompensado, e mais uma vez levou seu Flamengo ao êxito.

Ela, a Nação Rubro-Negra, dorme então tranquila esta noite, que aliás também foi dela.

Noite em que ela e o Flamengo tinham uma missão.

Missão cumprida.

Pelo Flamengo, pela Nação.

@_LeoLealC

18 outubro 2013

Não, não é o fim


Não, vascaíno, seu time ainda não está fadado à tragédia. Complicou, sim, mas ainda é uma situação completamente reversível.

A raiva, o desânimo, o falso desprezo (que acaba na véspera do próximo jogo) são compreensíveis, claro. Mas agora, assim como sempre, não depende só deles. Cabe a você, também, tirá-lo deste sufoco.

Existem 4 torcidas no Brasil que fazem a diferença mais que as outras, e uma delas é a do Vasco.

Seu problema, às vezes, é não chamar a responsabilidade pra si.

Então chame! Vá a São Januário, ao Maraca, a Macaé, aonde for, mas não largue o Vasco.

Com vocês ele põe medo, não se amedronta. Com vocês, ele é outro.

Então se você, vascaíno, quer outro Vasco em campo, esteja com ele. Torça, apoie.

Grite até o nome do Dinamite. Lembre-se do que ele foi, esqueça o que ele é. Só por hoje, vai? É necessário.

A hora é agora. Lá se vai a fase do "temos que recuperar depois". Acabou. Essa, aliás, é a palavra mais usada pelos vascaínos no momento.

Acabou a paciência, acabou a tolerância, acabou a confiança.

O amor, esse não vai embora. Então não o esconda, expresse-o da forma mais intensa que puder. Por você, pelo Vasco.

Ele precisa de você mais do que nunca, torcedor. Então não vire as costas.

A segundona não está longe, mas ainda há 9 quarteirões de distância.

Espaço suficiente para o Vasco desviar o caminho.

Desde que comece agora. E que você, vascaíno, o empurre a isso.

@_LeoLealC

14 outubro 2013

13


No primeiro turno, o Botafogo também tinha muito mais time e era amplo favorito. Por caprichos, maldades, erros, falta de sorte, ou qualquer elemento odiado pelos alvinegros, a vitória escapou no último piscar.

Hoje, nem tão favorito na Loteria Esportiva, fora do auge de sua boa fase, contra o rival em ascensão, o Glorioso já havia vencido o jogo antes de entrar em campo.

Os alvinegros podiam não saber, não lembrar, mas nem o pessimismo que ronda aqueles corações em preto e branco poderia fazê-los desconfiar que hoje a vitória viria. Já era certa.

Alguns times podem ter suas superstições e acreditar veemente nelas. O Botafogo não, ele vive por elas. 

Eu nunca vi um time funcionar tanto à base da numerologia. Uns usam coincidências e números como uma forma de acreditar, o Glorioso, pra ter certeza.

E num dia 13, em 2013, depois de 13 anos sem vencer o Fla em Brasileiros, a 13 pontos do líder, era óbvio que o Fogão venceria.

Dia 14, talvez, a bola de Elias iria um pouco mais abaixo do travessão, Rafael Marques não estaria na linha do gol pra evitar o empate, ou aquele bate-rebate no último minuto teria um destino doloroso pro Bota.

Mas não, não dessa vez.

Hoje, o Bota precisou de 13 finalizações para chegar à virada e à 13ª vitória aos 13 do 2º tempo com o camisa 13 Rafael Marques.

- Mas Léo, foram 14 chutes, foi a 14ª vitória, o gol foi aos 17 e o Rafa Marques usa a 20!

Dane-se! Não estrague meu enredo.

Dia de Botafogo, 13 letras.

Botafogo em dia de Botafogo, 3 pontos.

@_LeoLealC

13 outubro 2013

Ufa!

(Foto: Globoesporte.com)
O Grêmio joga única e exclusivamente pelo resultado, não importa como, contanto que eles venham. Tem vindo, então para eles não há porque mudar.

É do DNA gremista ser guerreiro, lutar e vencer do jeito que der, com as armas que puder usar.

Mas se podem também jogar bola, por que não jogam?

Chega a ser irritante assistir um jogo do Tricolor Gaúcho. Por mais que dê certo, é muito chato ver 11 rapazes se postando como um time de rúgbi e ainda se dando bem com isso. Mas eles gostam, a torcida aprova.

Então o que fazer?

Castigue-o.

Pressione do início ao fim, mas ponha a bola pra dentro só aos 45 do segundo tempo. Deixe-o sentir o gostinho da vitória para então tirá-la.

Não empate antes disso, pois aí eles se fecham cada vez mais e tornam o jogo ainda mais pavoroso.

O Grêmio ia fazendo mais uma de suas "gremisses", até aquela bola, depois de ir ao céu, aterrizar no gol de Grohe.

Obrigado a quem traçou este caminho a ela. Sóbis, o beque que desviou, Gravatinha, Sobrenatural de Almeida, quem quer que tenha sido, valeu mesmo!

Não foi maldade aquele gol chorado. Maldade seria esse time se dar bem de novo no Maraca, assim como semana passada.

No lance anterior, Kléber estava impedido? Não. Mas seria um lance ofensivo do Tricolor Gaúcho, portanto é regra invalidá-lo.

Não é essa a filosofia?

Nada contra o Imortal Tricolor, nada mesmo. Longe de haver implicância de minha parte quanto à instituição. Mas o Grêmio 2013 não merece estar onde está.

Ou, pelo menos, não joga bola pra isso.

@_LeoLealC

10 outubro 2013

Garra

Na situação que está, o Vasco não se importa em dar bicuda pro alto, não deixar o adversário jogar e jogar por uma bola, pelo resultado, jogar feio.

O Flu, quando se viu na mesma condição, mês passado, fez a mesma coisa e se reergueu. Talvez por isso tenha voltado à enorme exigência de fazer bonito e está de novo em queda.

Até ontem, o Tricolor não brigava pra não cair, ou pelo menos não pensava nisso, o que explica aquela apatia causada pela indiferença.

Pode ser que agora, com o risco de novo iminente, volte o Fluminense de 5 rodadas atrás.

Para o Vasco, é tudo ou nada. Ele não quer convencer, dar show, vencer "bem". Quer vencer, isso é seu bem. Não precisa técnica, basta três pontos e está ótimo.

No lado cruzmaltino, o suor era necessidade. No Tricolor, opção, usada quando já era tarde.

Um gol de bola parada no início e dali em diante ferrolho, carrinho, chutão pro alto. Técnica, deixa pra depois.

Errado? Com as peças do Flu, até cabe a discussão. Com o material do Vasco, não. É o jeito, a saída.

Ontem foi duro, vascaíno?

Acostume-se.

O jogo foi nervoso, e assim serão todos os do Vasco na briga pra escapar, que acredito que vá conseguir.

No de ontem, mais 3 pontos. Suados, como todos os conquistados daqui em diante.

E dane-se o vídeo bem curto de melhores momentos e que a vitória só veio pela boa atuação da zaga.

É hora de olhar números, não primores.

É hora de lutar. Com os pés, com o coração, com a cabeça.

Pro Vasco, agora é guerra.

E faltam 11 batalhas.

@_LeoLealC

07 outubro 2013

Longe. Bem longe

Longe de casa.

Não da torcida, pra essa aí nunca haverá distância.

Longe sim, de fazê-la feliz.

Longe do gol, da área, da bola, de saber o que fazer com ela.

Longe de um lance bonito, ou algo que causasse ânimo.

Longe do futebol.

Longe de perdoar João Paulo e Cris por tratarem tão mal um dos clássicos mais sublimes do Ocidente.

Clássico? Hoje, longe disso.

Longe da tolerância, da tranquilidade, da regularidade.

Longe de encontrar ao menos uma descrição para o que vi em Brasília. 

Sim, em Brasília, só. Não citarei a alcunha do estádio, nosso anjo das pernas tortas não merece ter seu nome atrelado a esse escárnio de irritantes 90 minutos.

Longe de merecer um vencedor.

Longe do Maraca. Amém!

Longe de se adequarem ao poder dessas duas camisas.

Longe da paciência. 

Do aceitável.

Da média.

Longe, bem longe, do alto da tabela.

@_LeoLealC

03 outubro 2013

"Deixou chegar..."

- Tô confiante no Mengão, destruímos o Criciúma!

- Também né, se não ganhasse do CRICIÚMA...

- E daí, brother? Jogamos muito, 4 x 1, agora vai!

- É mesmo? E sobre o Coxa, lá dentro, o que você me diz?

- Tá no papo!

- Acha mesmo que vão conseguir algo lá no Couto? Não brinca comigo...

- Mas é claro. Os caras tão mal desse jeito e você ainda acha que eles vão nos segurar depois de uma vitória daquelas?

- Mas foi no Criciúma!

- Dane-se!

- Cara, vocês não ganham deles lá dentro há 15 anos!

- Obrigado, você me deixou ainda mais confiante.

- Não me faça rir...

- Aí, viu? Toma! É Mengão, rapá,  já foi mais um! Quero ver quem nos para agora!

- Mas vocês só ganharam de dois que brigam pra não cair. Aliás, que brigam com vocês.

- Cair? Time grande não cai, meu filho. O técnico caiu, o interino assumiu, isso não te lembra nada? É rumo ao hepta!

- Mas vocês estão em décimo primeiro!

- Daqui pro G4, são só 8 pontos. Se deixar chegar, já sabe.

- Tu realmente acredita nisso?

- Claro

- Por quê?

- Porque isso aqui é Flamengo.

- E por que gostam tanto de sonhar?

- É a melhor coisa do mundo.

@_LeoLealC

30 setembro 2013

Contagem regressiva


Chega.

O Botafogo tinha Bahia e Ponte em casa. O Cruzeiro, Timão e Inter fora. E essa era nossa esperança para um mínimo de emoção na disputa do título.

Ela se foi.

A Raposa, melhor, agora faz questão de expor sua superioridade, escondida pelo Glorioso durante um tempo.

Dessa vez, o Bota a garantiu.

As duas rodadas que acirrariam de novo a briga pela liderança só serviram pra aumentar a diferença.

Se os 7 se transformariam em 1, viraram 11.

Se o Cruzeiro era o favorito, agora é o campeão.

Já?

Já.

Ruim pro campeonato? Claro.

E daí? Ótimo pra eles, e é isso que importa.

Ou você, cruzeirense, vai achar os pontos corridos chatos por ter sido campeão com não sei quantas rodadas de diferença?

Não. Vai rir, se divertir.

O Brasil se pinta de azul. Falta só o acabamento.

A taça é sua, Raposa.

Só resta levantá-la.

@_LeoLealC

26 setembro 2013

Continua...

O Botafogo, nessa repentina fase ruim, era uma incógnita. O Flamengo, vivendo esse surto interminável de horrores, era quase uma certeza de fracasso, ainda mais sem Elias.

Como esse time do Rubro-Negro só funciona na base da porrada, ontem deu liga, dominou o primeiro tempo e surpreendeu todos, principalmente o Bota.

O Alvinegro tem uma equipe melhor, que não deu certo na 1ª etapa por ingenuidade. Com a inteligência de Oswaldo, foi melhor na segunda.

O Fla teve uma atuação satisfatória. Aceitável, no mínimo. Léo Moura, mesmo não sendo o de 5 anos atrás, faz uma diferença enorme, tanto pela experiência, quanto por deixar Luiz Antônio jogar em sua real posição. Somando à primeira atuação lúcida de Carlos Eduardo (devida à lucidez de Jayme ao colocá-lo pela esquerda) e à rara ocasião que foi João Paulo render ofensivamente, foi algo que, enfim, deu certo.

O que com Elias ainda pode melhorar, dá pelo menos uma esperança ao torcedor.

O Bota, que assistiu ao adversário jogar na primeira etapa por "ignorância" e surpresa, voltou significativamente melhor depois do intervalo pelo bom senso de Oswaldo.

Se Seedorf não vem fazendo a diferença como fazia, então recue-o e o deixe apenas distribuindo a bola e iniciando as jogadas, coisa que ele nunca vai desaprender. Se o Flamengo vinha tendo terreno e tempo pra raciocinar, adiante a marcação, diminua o espaço e não o deixe pensar. Sem espaço, o Rubro-Negro é um time desesperado.

Um tempo de cada, jogo igual e ninguém sai no prejuízo.

O flamenguista, que temia uma catástrofe, sai satisfeito com a evolução, a esperança e até com o resultado.

O alvinegro, após o primeiro tempo horrendo, viu que caso seu time pense e ponha a bola no chão, pode voltar a ser o de 3 semanas atrás.

Se o 2º jogo fosse semana que vem, teríamos dois times iguais para o confronto, por mais que os nomes e o padrão tático alvinegro sugiram uma superioridade.

Como um ser, que nem deve assistir futebol, elaborou esse calendário magnífico, com intervalo de um mês entre os dois jogos, não há como prever absolutamente nada.

O Flamengo pode reagir no Brasileiro, ou se afundar de vez entre os últimos. O Botafogo pode se reaproximar do Cruzeiro ou correr risco de sair do G4.

O Bota é melhor, mas o que decide num mata-mata, muitas vezes, são os detalhes.

E isso torna os dois iguais.

A primeira parte nada decidiu.

Fica pra daqui a um mês.

Parabéns, "jênio" da CBF.

@_LeoLealC

23 setembro 2013

Sim, é verdade

A diferença de 7 pontos era mentira. Nilton acertar um chute daqueles, também, assim como Seedorf ter uma atuação horrenda como aquela. 

Quarta-feira, o placar mentiu. O 3 x 0 foi um exagero que surgiu por detalhes. Se o pênalti do holândes entra, a história seria outra. Não entrou e estragou tudo no lado do Botafogo, que é o time que mais depende do lado psicológico no Brasil.

No futebol, porém, uma provável ilusão pode também constatar.

A "mentira" do placar mostrou que o Cruzeiro está mais preparado e merece, sim, essa distância pro Bota.

A "mentira" no gol de Nilton coroa a fase sensacional que vive o volante, um dos melhores da equipe na competição.

A "mentira" na atuação de Seedorf já não existe mais. Há pelo menos 11 jogos, ele vem sendo peça nula no Alvinegro.

Até julho, os holofotes eram todos do Galo. Por incrível que pareça, foi ótimo para a Raposa, que quieta, na dela, montou um time altamente competitivo e bem armado, que hoje colhe os frutos.

Ontem, antes dos jogos, não vi ninguém convicto da vitória alvinegra, que era obrigação, mas vi muitos acreditando na vitória azul, que contra o Corinthians, no Pacaembu, era lucro.

A diferença, que esperavam diminuir pra no minímo 5, subiu pra 8.

E se Éverton Ribeiro, Borges, Goulart, Ceará e Nilton eram dúvidas, hoje são certezas.

Se eram mentiras, agora são verdades.

A superioridade azul, antes posta em xeque, agora é unânime.

O Cruzeiro é melhor, mais preparado e merece.

O Bota tem time pra brigar pelo título, o Cruzeiro, pra ser campeão.

Essa é a real diferença, exposta na tabela e no campo.

E não, não é mentira.

@_LeoLealC

18 setembro 2013

A palavra é sua, Rica


Sou ruim de bola, mas sempre quis viver do futebol de algum jeito e por isso, escolhi o jornalismo esportivo.

Se eu quero ser jornalista pra falar de futebol, é óbvio que não pretendo ser um coxinha de terno que acha que arquibancada é igreja, dá chilique quando ouve ou lê algum palavrão e preza pela leitecomperisse nas opiniões.

E é por isso que eu sou fã desse cara (odiar a Argentina também contribui) e vou em sua palestra.

Palestra não, é um termo muito sério. E como ele diz, "a vida não tem que ser profissional, e sim gostosa".

Eu vou é bater um papo com Rica Perrone. Algo descontraído, com mais algumas pessoas, numa sala pequena onde ele vai mostrar sua visão sobre futebol e jornalismo como um torcedor, enfatizando paixão. Sem números, planilhas ou qualquer coisa que te faça dormir com 30 minutos.

Depois, a galera ainda assistirá a Botafogo x Fluminense com cerveja, refrigerante e petiscos, tudo na conta dele.

Uma ideia da Neo Trip com a Liga Experimental, que já promovem esses encontros em outras áreas e funcionam.

Este, com o Rica, também tem tudo para dar certo.

Se você cursa jornalismo, pensa em cursar ou simplesmente ama futebol, vale a pena fazer como eu e chegar lá em Santa Teresa, no dia 02 de outubro, às 18:30.

Mas corra, as vagas são limitadas.

Para fazer sua inscrição, ligue (21) 3233-0412 ou envie um e-mail para contato@neotripbrasil.com.

O preço é R$ 250,00.

Gostou da ideia? Chega junto!

Só não ligue pra UOL procurando o cara. Ele rasga sua ficha.

@_LeoLealC

13 setembro 2013

Falta de... bom senso

Semana passada, Valdívia sofreu uma das punições mais esdrúxulas da história do futebol. Sua "conduta anti-ética" foi forçar o terceiro amarelo enquanto seu time ganhava, já que na rodada seguinte desfalcaria a equipe por estar em sua seleção.

Punição merecia a CBF por elaborar tão mal um calendário e fazer com que um clube seja "advertido" por ter um atleta selecionável.

Valdívia fez o que muitos fazem e não assumem. Ele assumiu. Então, prato cheio para a mídia leite-com-pera azucrinar e o STJD, que mais parece uma coordenação pedagógica de creche particular, dar seu show de hipocrisia.

Em outras palavras, ele foi punido por ter sido punido (?).

Eles, que nunca jogaram bola na vida e muito mal foram a um estádio na arquibancada, disseram que foi desrespeitoso, anti-ético. Eu digo que é válido, que é apenas uso de uma brecha no regulamento e um ótimo protesto contra esse calendário mal feito.

Ontem, Elias fez o mesmo. Depois do técnico deixar claro que o pouparia do próximo jogo, ele forçou o 3° cartão também fazendo cera. E também como o chileno, disse ter feito o que todos fazem e não falam.

E de novo, vem o papo leitecomperista de punir o rapaz.

O que eles queriam? Seria mais "ético" se os dois levassem o cartão por machucarem alguém?

Por que a maioria das agressões em campo passam batidas no tribunal? É realmente mais grave se aproveitar de uma suspensão?

Os dois tiveram atitudes passíveis de amarelo. O juiz fez seu trabalho e aplicou o cartão. Ponto.

Valdívia e Elias foram cumprir suspensão quando naturalmente desfalcariam suas equipes. E não cabe a um procurador escolher quando eles devem ficar de fora.

Um já foi punido e o outro provavelmente será. Por quê?

Porque os senhores de terno e gravata querem que jogadores de futebol ajam como se estivessem aprovando leis no plenário ou se apresentando num musical da Broadway.

Valdívia não merecia, Elias não merece.

O futebol não merece.

A hipocrisia sai na frente. O bom senso, coitado, é esquecido.

Vencem o terno, o papel, a caneta e a babaquice.

Perde o futebol.

Menos artigos e mais bola, por favor.

@_LeoLealC

12 setembro 2013

Ainda lá em cima?


Começa o campeonato e Fellype Gabriel, um dos mais importantes da equipe, vai embora.

"É, agora complicou. Já era."

Aí vem Vitinho, que em dois tempos evolui de promessa pra realidade.

"Ah não, uma hora vai cair. O elenco é fraco."

Então, Vitinho se vai.

"Viu, não disse? Agora acabou, vamos de vala".

Eis que da Baixada Fluminense surge um menino.

"Hyuri? Oi? Pra quê o H? Quem é? Quem trouxe? Então quer dizer que o substituto do Vitinho vem do AUDAX?"

O menino estreia, pega a bola, dribla o zagueiro, o lateral, o juiz, o gandula e presenteia 6 mil leais torcedores com o gol mais bonito do novo Maraca.

"Não sei, não confio nesse time. Quando tudo estiver ganho, vamos tomar um gol no final e nos decepcionar. O G4 é lucro."

E no final do jogo seguinte, com um voleio improvável, vindo de quem não sustenta técnica pra isso, vem mais uma vitória e a distância pro líder é mantida.

Hoje, 0 x 0, 40 do segundo tempo e o líder a aumentava.

"É, já esperava. Como disse, o G4 é lucro."

44 minutos. O mais contestado do time acerta um passe trigonométrico e o menino, mais uma vez, faz um golaço.

"Bom, vamos embora logo... GOL! GOLAÇO! HYURI! TU JOGA MUITO, MOLEQUE!"

E o Vitinho? E a desconfiança?

"Hã? Quem?"

E o Botafogo?

Esse aí, pergunta pra tabela.

"Mas eu conheço o Fogão. Cavalo Paraguaio, uma hora vai desandar. Já sabemos como é".

Pois bem. Já chegamos à 20ª rodada e o "cavalo paraguaio" resiste. 

Sabemos mesmo como é?

Eu ainda não.

@_LeoLealC

02 setembro 2013

Parabéns, Timão!


Pelo aniversário, pela história, pelo jogo.

No seu centenário, eu tinha apenas 15 anos, não tinha o blog e logo não pude lhe homenagear. O 103° aniversário não tem o mesmo simbolismo, mas hoje cabe a lembrança.

Para comemorar, Pacaembu, de novo, lotado. A Fiel é seu presente de cada dia, Corinthians. Ela não vai pra ver você jogar, e sim para lhe ajudar a ganhar.

Porque para o corintiano não existe mais nada no mundo. Aliás, o mundo dele é você, Timão. 

A Fiel não torce por você, Corinthians, ela vive por você. E por isso, só por isso, ela não te abandonou quando você esteve 22 anos sem dar alegrias e foi a maior média de público no Brasil quando você esteve na Série B.

Sem alegrias, quem disse?

Para ela, alegria é a paixão, é a satisfação em ver 11 sujeitos vestindo aquela camisa branca, é a devoção que criou por São Jorge, mesmo os que não acreditavam em santos.

Alegria pra ela é você, Timão, não precisa mais nada.

Ela te acompanha no céu e no inferno, sempre achando estar no paraíso por estar com você, Corinthians.

Hoje ela foi seu presente, de novo. E com o Pacaembu lotado, aconteceu o natural.

Uma atuação digna da data, e dane-se se foi contra a fragilíssima equipe do Fla. Era dia de festa.

A Fiel correspondeu, de novo, e o Timão retribuiu. O que anos atrás era heroico, mas nos últimos vai virando costume, numa deliciosa troca de favores.

A Fiel merece, o Corinthians merece.

Parabéns, Timão! 103 anos de uma história colossal.

Parabéns, Fiel. Há 103 primaveras você começava a fazer do Corinthians esse gigante que é hoje.

Que é hoje em dia, que foi nesta tarde de domingo.

@_LeoLealC

29 agosto 2013

Eles? Nós!


Eu nunca escondi, nem menti meu time do coração a quem me perguntasse. Aqui no blog, apenas não deixava exposta minha paixão por respeito aos torcedores de outros times.

Mas hoje, se deixá-la de lado por um segundo, será algo muito artificial. Eu não estaria sendo eu.

Me perdoem, mas hoje eu não consigo ser frio o suficiente pra me referir ao Clube de Regatas do Flamengo na terceira pessoa.

Você, se fosse alucinado pelo seu time como eu e tivesse vivido por ele a noite de ontem como eu vivi, no Maraca, também não conseguiria.

Se hoje sou tão apaixonado por futebol, é por sua causa, meu Flamengo. Hoje meu corpo escreve aqui, pois minha alma ainda permanece ali, no Estádio Mário Filho sobre alguma cadeira, olhando perplexa e feliz para o gramado mais abençoado da Terra pelos deuses do futebol.

Escrevo para agradecer.

Entrei no Maraca, depois de três anos de saudades, e tive a certeza de que estava de volta à minha casa. Eu voltei, o Mengão voltou, nós voltamos.

Já tive vários dias inesquecíveis que eu disse ser o melhor da minha vida, e a maioria deles proporcionados por você, meu Flamengo.

E ontem, eu gritei de novo: "É o dia mais feliz da minha vida!". E de novo, por sua causa, meu Flamengo.

Análise do jogo? Nem pensar! Não vou conseguir opinar como alguém "de fora" sobre o que ajudei a acontecer.

Flamengo, Torcida do Flamengo, Maracanã. Ali, o favoritismo do Cruzeiro deixava de existir.

O Fla mais uma vez, desafiou o imponderável. Mais uma vez, levou a melhor.

E não, não foram "eles", o Flamengo.

Fomos nós, meu Flamengo.

Nós conseguimos, nós revertemos, nós estamos nas quartas, nós vencemos!

Você, de novo, me presenteou com uma das noites mais fantásticas da minha vida.

Eu te amo, meu Mengão! Obrigado por tudo.

 @_LeoLealC

23 agosto 2013

Fenomenal

(Foto: Bruno de Lima / Lance)
O que tem de tão especial nesse Botafogo?

Seedorf, que hoje nem jogou?

Jéfferson, que hoje não precisou salvar a pátria?

Oswaldo, que bancou Rafael Marques desde o início e calou todos?

Vitinho, Lodeiro?

Hoje a vez era deles. Quando não é, porém, o brilho permanece.

Como que esses sujeitos que às vezes nem vão à concentração por protesto ganharam do campeão da América com tanta violência?

O elenco é enxuto, há problemas com salários, vontade da mídia em criar crise por qualquer motivo besta, o Engenhão está fechado e o clube sofre com os consequentes prejuízos. Então, por que o futebol desse time é tão vistoso? Por que tanta cara de campeão?

Copa do Brasil, Brasileiro, dos dois? Talvez.

A torcida mais pessimista do Ocidente está confiante, sem abaixar a cabeça ou se fazer de coitadinha.

Qual a causa deste fenômeno?

Algum dos elementos que citei acima? Todos eles juntos? Pode ser.

O sucesso do Glorioso já não é mais surpreendente há muito tempo, mas ainda é um mistério. E não desvendá-lo é a mais gostosa sensação que o botafoguense vem experimentando.

O Fogão 2013 é um time diferente, com estrela.

Estrela que reluz mais que o normal.

Estrela que é solitária apenas no escudo.

@_LeoLealC

22 agosto 2013

Um gol, o gol


Em Minas, nada decidido. O consistente e seguro Cruzeiro teve a chance, mas não selou a classificação no primeiro jogo contra o sortudo Flamengo, que pelo o que apresentou, saiu amplamente no lucro.

No Mineirão, o Cruzeiro é sempre favorito e o resultado hoje foi normal. A decisão fica pro Maraca, onde ninguém é favorito contra o Rubro-Negro, o que equilibra a situação. A Raposa tem mais chances de passar pelo time que tem, mas quando se trata de Flamengo desacreditado, torcida do Flamengo, Maracanã e mata-mata, não espere o óbvio.

O jogo foi bem interessante e dará temas pra debate. Mas só até amanhã.

O que fica pra história é a pintura que fez esse rapaz chamado Éverton. E sim, "pintura" é uma denominação maior que "golaço". Golaço é pouco.

Do jogo, ninguém vai lembrar do gol do William, do Carlos Eduardo, da bobeira do Dedé, das bolas na trave, nem da estreia de Júlio Baptista.

Do lance, ninguém vai dizer que o Luiz Antônio errou ao sair de primeira dentro da área, nem ousar discutir se a bola saiu ou não antes do passe do Ricardo Goulart.

O cruzeirense, daqui a 30 anos, dificilmente vai lembrar o ano, o campeonato e se foram campeões ou não. Ele vai perguntar para o amigo: "Você tava no Mineirão quando aquele Éverton Ribeiro fez aquele gol antológico"?

Sim, Éverton ainda é "aquele", não "o".

É um bom jogador, não um craque. Hoje viveu um dia de tal, e não fez "um gol", fez "o gol".

Éverton Ribeiro pode se transferir amanhã ou fazer história com a camisa azul. Mas seu lance já estará gravado na memória. E merece placa, sim!

Eu poderia estar aqui discutindo quem se deu bem com o resultado, falar do Luverdense ou da vitória do Flu. Mas não, seria maldade com o rapaz.

A noite de mata-mata foi boa, emocionante e com algumas surpresas.

Mas ela, o ingresso do Mineirão e Cruzeiro x Fla já valeram por um só lance:

O gol de Éverton Ribeiro.

@_LeoLealC

19 agosto 2013

Triste

É triste ver o Botafogo líder, vencendo e convencendo.

É duro ter que procurar problemas a cada rodada para o Glorioso, já que a falta do Engenhão e os salários atrasados não vêm interferindo.

É chato ter que dar destaque a um desentendimento envolvendo o craque do time pra ofuscar a vitória.

Quando ela não vem, não precisa. Vem o papo do gol no último minuto, de "time não preparado", "time amarelão" e toda perturbação que o botafoguense tanto conhece.

É cruel sofrer o empate no último minuto, mas nem tanto quando o ponto conquistado vale a ponta.

É árdua a rotina de líder do Botafogo, coitado. Líder, invicto há 8 jogos, jogando o melhor futebol no campeonato, Seedorf, Jéfferson, Lodeiro, Dória, Vitinho. Difícil, não?

A tranquilidade do momento do Bota irrita e por isso procuram problemas onde não existem.

Assim, o Alvinegro vai passando por uma triste rotina na liderança.

Hoje, no Canindé, o Fogão fez mais uma vítima. Após o jogo, abro o portal de esportes mais visitado do Brasil e me deparo com a discussão de Seedorf e Gilberto, que durou 30 segundos, na primeira aba da capa do site.

Porém, para a tristeza jornalística, o Glorioso é manchete sim, mas dentro das quatro linhas. Líder, e para ainda maior desespero, favorito.

E é bom que aceitem ou pelo menos se acostumem com o Fogão 2013, que vem pra atropelar.

Senão, haverá um velório editorial ao fim do ano.

@_LeoLealC

16 agosto 2013

Deliciosa rotina

No Maracanã, ontem, dois times que sabem que podem mais do que fazem. O Botafogo, que já vem fazendo bastante, lamentando o que poderia estar ainda melhor se não fossem as bobeiras e a falta de sorte no fim dos jogos e o Internacional, com um elenco ótimo, buscando alguma forma de engrenar.

(Foto: Daniel Ramalho / Terra)

O jogo foi ótimo e isso não quer dizer que foi equilibrado. E o Bota fez bastante, de novo. Foi melhor no jogo, de novo.

O Inter não engrenou, de novo. Dependeu da individualidade, de novo. E ela não resolverá sempre, quando se tem no time Alex e D'alessandro pra deixar Willians na armação.

Conseguiu a virada relâmpago na categoria de Damião. Um passe fantástico que resultou na falta do primeiro gol e a bela jogada no segundo.

E é pelo que aconteceu depois dessa virada, que o botafoguense deve ficar otimista. Porque foi com personalidade, sem desespero e sem mudar em nada a forma de jogo que o time conseguiu dominar o Colorado e voltar naturalmente à frente do placar.

Mas aconteceu, de novo, a bobeira e novamente a vitória escapou no último lance. De novo, ficou aquele gostinho de quero mais. E de novo virá a reação passional e a história do azar, de time pipoqueiro, etc.

O Inter, que novamente foi aquém do que pode pelo time que tem, sai dessa vez com moral. Moral que talvez não seria tanta se o 2 x 1 se mantivesse.

Portanto, empolguem-se, mesmo sem motivos tão aparentes.

Você, colorado, por saber que uma hora seu time vai tomar jeito. E quando isso acontecer, ninguém será favorito contra o Inter.

Você, botafoguense, por saber que seu time joga o melhor futebol do Brasileirão, e é melhor contra todos os adversários. Nem sempre haverá o vacilo no final, e com isso o time pode disparar.

Ontem, um jogaço. Sem vencedor, mas com uma dose a mais de moral e confiança pros dois lados.

No final, deu o que os dois já estão acostumados. Caiu na rotina.

Mas não lamentem, celebrem-a.

Pois quando saírem dela, vai ser difícil segurar.

@_LeoLealC

11 agosto 2013

De pai pra filho


Dia dos pais. O Maraca, não mais o mesmo, mas sempre o Maraca, recebeu seus filhos no campo e nas cadeiras. Pena, não são mais arquibancadas.

- Quanto tempo pai, como o senhor mudou. O que houve?

- Meus queridos, me perdoem. A culpa não é minha, fui forçado a isso. Senti falta de vocês, meus amores.

- Pois é, nós também, pai.

E então eles foram, cada um para seu quarto, que o pai arrumou com maior carinho. O Rubro-Negro para um lado e o Tricolor pro outro.

Os dois, não muito unidos, disputavam como sempre o direito de fazer a festa em seu cômodo, dessa vez a de boas-vindas. 

O quarto Rubro-Negro já bagunçado, cheio de cachaça nos móveis, pronto pra receber a gritaria e a galera do churrasco. O do Tricolor arrumado, com tudo em seu devido lugar, bem decorado pra receber com requinte a galera do escritório.

- Decidam ali na sala, em meu tapete, como sempre fazem.

Dezesseis horas, tarde de domingo. 40 minutos antes do nada, o juiz apitou, a bola rolou e eu vi o clássico mais sobrenatural do planeta voltar a seu templo, estar de novo sobre o gramado mais abençoado pelos deuses do futebol.

Eu vi a magia voltar. Não tinha medo do contrário, era receio.

Eu vi o sobrenatural levar um sujeito com apelido de "brocador" a um toque de letra como se fosse um craque.

Vi golaço, frango, caneta, confusão, virada.

Vi Maracanã, vi Fla-Flu no Maracanã. Vi os filhos reencontrarem o pai.

E ele, enjoado de tanta gente rica e bem vestida, com saudade do povão, dessa vez deixou a festa com o filho favelado.

Hoje ele queria churrasco, não caviar.

Hoje a festa é Rubro-Negra.

@_LeoLealC

Calma lá!

(Foto: GazetaPress)
Eu sei, é duro empatar com o Goiás em casa. Também é triste sofrer o gol de empate de Fla e Galo no último lance. Esses não foram tropeços, mas doem.

Mas é muito gostoso ganhar dois clássicos e vencer o maior concorrente à liderança, não é?

Seu time está excelente, botafoguense. O elenco nem tanto, e por isso sentiram muito a falta de Lodeiro na partida.

O vacilo em Brasília foi triste, dá raiva, mas acontece.

Nada de "time amarelão", "ladeira abaixo" e "começou a queda".

Não quero que o botafoguense consiga ser racional, nenhuma torcida consegue. Mas a do Bota exagera na implicância.

Acalmem-se. O resultado foi sim inesperado e revoltante.

Mas não muda em nada as chances do Fogão no campeonato.

@_LeoLealC

01 agosto 2013

Aceite o inaceitável

Não reclame da arbitragem, flamenguista, ela é ruim demais e errou de novo. Hoje e domingo passado, o erro foi contra seu time. Domingo que vem, pode ser a seu favor.

Reclame de seu goleiro, que pensa estar jogando beisebol em cada chute de longe. Reclame até da diretoria que não trouxe um melhor.

Reclame dos seus laterais, que mal vão à linha de fundo. Quando vão, tocam pra trás ou cruzam para um atacante imaginário.

Reclame da insuficiência técnica e da falta de objetividade de seu time, que chutou menos a gol que o centroavante do adversário.

Não reclame do Mano, dele não, o cara conseguiu dar um padrão de jogo a um time medíocre. Hoje não deu. Méritos do adversário, demérito de suas peças.

O Flamengo está passando por uma transição e essa mudança sempre vai doer no torcedor quando der o efeito colateral no campo.

Como esperado e anunciado, o ano do Rubro-Negro vai caminhando de forma deprimente.

Não acho que vá cair, mas de vez em quando, em partidas como a de hoje, o torcedor terá que se conformar que seu time é fraco, bem fraco.

Daqui pra frente, o que conseguir será pela camisa. Às vezes ela não trabalhará sozinha, e será esse Deus nos acuda.

O flamenguista sabe que toda essa mudança pode causar um efeito trágico e por isso está com medo. Pra esconder ou disfarçar o pânico, hoje põe a culpa no juiz.

Ele errou, sim, mas quando o time já perdia. Depois do equívoco, mais um gol sofrido. Hoje, o Bahia deu um baile.

Números, no futebol, às vezes não dizem nada. Mas hoje, falam mais do que eu:

Posse de bola - Bahia: 44%; Fla: 56%.

Finalizações - Bahia: 16; Fla: 5.

Conforme-se, rubro-negro. A culpa não é do apito.

@_LeoLealC

30 julho 2013

Depende deles...

... os da foto. Não Vanderlei Luxemburgo, Celso Barros, Peter Siemsen, Rodrigo Caetano ou qualquer outro cidadão de terno e gravata. Nem de Abel Braga dependia.

Não acho que o Abel seja tão culpado assim da situação do Fluminense, do mesmo jeito que acho-o um treinador comum. Ganhou o Brasileirão pela qualidade individual do elenco, mas nunca conseguiu fazer o Tricolor jogar o que podia com as peças que tinha.

Com Wellington Nem e Thiago Neves, era mais fácil a bola entrar. Sem eles, porém, não entrou e Abel levou a culpa.

Como futebol é ciclo, o de Abel chegou ao fim. Natural.

Sou fã do Luxemburgo, admiro seus trabalhos e sua forma de pensar futebol. É um cara que se estiver vencendo, no segundo tempo, põe um atacante pensando no contra-ataque, não um zagueiro pra armar ferrolho. Joga pra frente, é ousado e prioriza o bom futebol.

É um baita técnico e pode sim fazer o Flu engrenar. Mas tem nome, currículo e personalidade suficientes pra tirar o peso das costas dos atletas e carregar toda a responsa, caso não dê liga.

A vinda de Vanderlei pode fazer o time se reanimar e evoluir com um técnico de ponta, como também pode tirar de vez a responsabilidade dos jogadores e piorar a situação.

Se o Luxa foi contratado pra carregar todo o peso nas costas, é furada.

Se o grupo tiver vergonha na cara, noção de sua incubência e fechar com o pofexô, aí pode ser uma boa.

E para que o ciclo do Flu não chegue ao fim, o de Abel precisou se encerrar e o do Luxa se iniciar.

Mas com Abelão, Luxemburgo, ou qualquer outro, a responsa é sempre deles.

Os do campo, não da prancheta.

@_LeoLealC

29 julho 2013

Não desdenharás

(Foto: Globoesporte.com)
O Botafogo tem um time melhor e isso reflete na tabela e explica o primeiro tempo onde o Fla não viu a cor da bola, ridícula, por sinal.

Tudo era muito fácil pro Alvinegro, que poderia matar o jogo no primeiro tempo. Não o fez e pediu à bola que o lembrasse contra quem estava jogando.

O time que entra relaxado contra o Flamengo já sai em desvantagem automática. O Bota foi pro segundo tempo tranquilo pelo o que aconteceu na primeira etapa e desprezou quem estava do outro lado.

E entre um grito de "silêncio na favela", a desistência de flamenguistas que iam embora antes do fim e a voz do narrador dizendo que o Bota chegava à liderança e quebrava um tabu, eis que ressurge o poder que a camisa rubro-negra leva consigo.

Ela entrou em campo por si só, levou Luiz Antônio ao desesperado chute pra frente, Hernane ao estertor desvio de bico e Elias, enfim, às redes. O persistente, o que mais simbolizou o que é ser Flamengo.

E foi aí que o Botafogo lembrou quem enfrentava. Já era tarde.

O Alvinegro ainda sente o amargo gosto de saber que pode mais do que faz, que tem time pra fazer um segundo tempo seguro ou até fechar o jogo já no primeiro.

O Rubro-Negro vai evoluindo, mas sem muitas esperanças de algo grandioso no ano. Para isso, porém, conta com um aliado sobre seu corpo.

Permita-me, mestre Nélson:

"Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável".

Para sair do sufoco, o Fla precisará muitas vezes da força dessa camisa rubro-negra.

E fiquem tranquilos, rubro-negros. Ela dá conta do recado.

@_LeoLealC

25 julho 2013

Galo de Minas, do Brasil, da América


Sorria, Galo.

Se você precisou reescrever 105 anos de história em 6 meses, você conseguiu. Se você teve que esperar 42 anos para ser novamente protagonista, você foi recompensado.

Sorria, Cuca.

Agora, todos os argumentos contra a sua competência vão-se embora, não voltam, se perdem. Um cara como você nunca será azarado.

Sorria, atleticano.

Vá ao bar que só vende fiado "quando o Atlético ganhar a Libertadores", beba e só pague quando o Galo ganhar o Mundial. A dívida não vai durar muito tempo.

Comemore o anunciado final feliz de uma das mais belas histórias já escritas por um clube. Vibre o fim de um jejum, de uma obsessão, de um tormento. Celebre o novo rei no trono da América.

Sorria, Brasil.

Você será representado no Marrocos pela sua excelência em nosso futebol.

Sorria, Roberto Drummond.

A camisa preta e branca estava no varal diante da tempestade e o Galo venceu o vento.

Você não está mais entre nós, e aposto que os deuses do futebol lhe deram carta branca aí em cima pra escrever este roteiro.

Pois é, você o fez da forma mais linda e gargalhou de mim quando eu já buscava me conformar com um fim melancólico para esta jornada e preparava meu texto mais angustiante. Agora faça sua crônica aí no céu e emocione os atleticanos em sua volta.

Acordei do pesadelo, lembrei de quando disse que se Victor pegasse o pênalti contra o Tijuana, o título viria e do quanto bati no chão igual um louco comemorando o gol de Guilherme. Percebi então a impossibilidade justa, física e matemática daquilo tudo ser em vão.

O final desta epopeia demorou a chegar. Chegou, da forma mais esplendorosa, e o atleticano chora aliviado, feliz, pois escolheu viver o caminho mais difícil, porém o mais cativante.

Você, Atlético, levou contigo os que viam de fora e os fez viverem juntos, contagiados, como se fossem da Massa.

Hoje a América acorda ouvindo o Galo cantar. E ele canta saciado, orgulhoso, pois viu o destino corrigir o erro que havia em sua história.

O atleticano, arranhado emocionalmente, com as marcas da batalha, ainda pensa estar sonhando com a quebra de todos os prognósticos que contestassem a grandeza de seu time.

E enquanto a ficha não cai, eu vos adianto:

Parabéns, Galo. A América agora é sua.

@_LeoLealC

22 julho 2013

O ídolo, o Rei, o destino

O Maraca é redondo. Não tem lado direito, esquerdo e nem deveria ter essa decadente briga de egos pra decidir onde ficariam as organizadas.

O Vasco, pelo menos, conquistou o "lado direito" pra sua torcida na bola e apesar da pouca relevância da "conquista", permaneceu por lá, criando a tradição.

Portanto, como um dos principais deveres desse consórcio é desmanchar o costume e desmerecer a história já criada, os tiraram dali.

Então eles foram, alguns contrariados, outros indiferentes, já que não tinham razões frias e legais para ponderarem algo. Sendo assim, se manifestaram a favor do que aconteceria dentro de campo, não em sua volta.

E enquanto os outros celebravam, por destino, a posse de um setor num estádio que nem existe mais, eles custavam a acreditar que estavam diante da volta de um Rei, que usa o diminutivo da palavra por humildade e simplicidade.

Sim, era verdade.

O papel do ídolo é complexo, mas pode ser resumido em dar exemplo, orgulho e nunca, nunca decepcionar o torcedor. E ontem, Fred decepcionou. Indiscutível sua capacidade como jogador, mas com o comportamento de ontem, ainda não está no patamar de um ídolo nato. É ainda um postulante.

Nessa condição, em campo, só havia um. Um cara que pela segunda vez voltou ao clube por amor, sem salário astronômico, regalias ou qualquer frescura.

Dispensando apresentações, ele mostrou de novo ao que veio e porque veio. Vindo da direita, com o pé direito e indo comemorar, olha só, no "lado direito".

E quis o destino que o vascaíno saísse feliz, na direita, na esquerda, na arquibancada e no campo.

Pois se os outros tinham o "lado direito", eles tinham o Rei.

Se era o destino, ele foi escrito do lado errado.

Pois ele que determinou de quem seriam a vitória e o Maraca ontem.

E ele foi do Gigante. Do ídolo e do Rei.

De Juninho, do Vasco.

@_LeoLealC